“a)
A DIFERENÇA ESSENCIAL ENTRE O OCULTISMO TEÓRICO E PRÁTICO; OU O QUE É GERALMENTE CONHECIDO
COMO TEOSOFIA DE UM LADO, E CIÊNCIA OCULTA, DO OUTRO, E:
b)
A NATUREZA DAS DIFICILDADES ENVOLVIDAS NO ESTUDO DESTA ÚLTIMA.
PROFUNDEZA
MAIS QUE PRODUNDA, TREVA MAIS QUE ECURA.
A
INSENSATEZ PELA SABEDORIA, A CULPA PELA INOCÊNCIA.
A
ANGUSTIA PELO ÊXITO, E PELA ESPERANÇA, O DESESPERO.”[1]
1
– Crer, e sua Importância no caminho de Luz:
Evidente,
que devemos “ver, julgar e agir”, esse principio educacional
derivado da Ação Católica, da década de 1.950 e 1.960, certamente, criada por
outro pensador, mas, estimulada na época por ser ligado como instrutor do
movimento pelo então, Cardeal Montini, Arcebispo de Milão, e posterior sucessor
do Papa e Santo João XXIII, também, São
Paulo VIº, que por seu conhecimento e santidade eitou os documentos do Concílio
Vaticano IIº, e transmitiu aos fiéis
Católicos e de outros seguimentos sentimento de unidade, tendo nomeado alguns
bispos Brasileiros, pontificados ao cardinalato.
Logo,
os princípios de natureza filosófica e Cristã tornaram-se válidos no meio estudantil,
em vários trabalhos acadêmicos é necessário
observar os três fundamentos: Ver; julgar; e agir. Pois se tratava de fundamento
pedagógico, observar este primado.
Contudo,
os valores inerentes à humanidade foram deixados de lado, e esquecidos, quiçá é
por isso, que está desconhecido como
fonte de conhecimento.
O
conhecimento no caso, está relacionado
comm a ida do Profeta Jonas à cidade de Nínive, por ordem do Senhor Deus à
Jonas, e disse-lhe:
“2
Vai à Nínive, a grande cidade, e
fazei-lhe conhecer a mensagem que te ordenei”.
4
Jonas foi pela cidade durante todo um dia, pregando: “Daqui quarente dias
Nínive será destruída”.
10
Diante de uma tal atitude, vendo como
renunciavam aos seus maus caminhos, Deus arrependeu-se do mal que resolvera
fazer-lhes, e não o executou”. (Jonas 3:1-10).
É
bom saber à causa que leva Jesus a comparar o tempo que ficaria na terra morto,
com o fato de Jonas ter sido engolido
por um peixe, e permaneceu três dias e
três noites no ventre do peixe, como se pode verificar, a seguir:
“1
O Senhor fez que alí se encontrasse um grande peixe para engolir Jonas, e este esteve três dias e três noites no
ventre do peixe”. (Jonas 2:1).
Logo
o Evangelho que noas apresenta, com a palavra do Mestre, está relacionado com a
luz, e o olho no corpo, poir sobre o tema expressa assim:
“34
O olho é a lâmpada do corpo. Se teu olho é são, todo corpo será bem iluminado;
se, porém, estiver em mau estado, o teu
corpo edstará em trevas". (São Mateus 11:29-32-34).
Percebe-se,
que o mau procedimento acontece por causa do olho empregnado pela inveja, e
ausência de luminosidade, também, ausência de conhecimento, e de espiritualidade, daí o mal é
institucional, di-lo isto, pelo fato da existência da exploração do homem pelo
homem, basta possuir limitação, originada de enfermidade, acidente, e de
nascimento para que os amgos da treva parte para extorsão, apropriam-se dos
proventos e rendas, e bens, comportam-se comoabutres e aves de rapina, utilizam
expressões como: - Eu preciso! Só querem dinheiro, e em regra só dormem, e
moram no banheiro., pois são: Os pecadores. Como dissera Jesus em seua pregação
aos fariseus, e filhos do maligno. Certamente, violam o previsto na Lei de
Inclusão, que regulamenta à Convenção dos Direitos da Pessoa com Deficiência da
ONU de 2.007, no seu Parágrafo único, do Art. 1º, e do Parágrafo único, do Art.
5º, da Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2.015.
Logo,
necessita-se com urgência pessoas que desejem estar e ser como do bem, em
bondade, prudência, e solidariedade, com amor e sabedoria, porque pelo bem
exemplo, em boa ação ação, e muita fé, também comunicação com o Pai eterno, com
à misericórdia de Nosso Senhor Jesus Cristo, sempre com a interseção da Mãe de
Deus, tenha certeza, que o mundo e o planeta, será mais justo, e melhor.
2,A
FRATERNIDADE DAS RELIGIÕES. Annie Besant.
Theosophical
Publishing House.
Adyar,
Madras, Índia.
Primeira
Edição em fevereiro de 1913.
Reimpresso
em outubro de 1919.
Um
leitor, refletindo por um momento a respeito do título acima, poderia muito bem
declarar: "Bem! O que quer que sejam as religiões, o mais certo é que elas
não são fraternais". E é uma infeliz verdade que se analisarmos a história
religiosa do passado recente encontraremos mui escassa fraternidade; antes
veremos religião combatendo religião, disputando pela supremacia e esmagando
suas rivais até a morte; as guerras religiosas tem sido as mais cruéis; as
perseguições religiosas tem sido as mais impiedosas; cruzadas, inquisições,
horrores de toda sorte, mancham com sangue e lágrimas a história das contendas
religiosas; pareceria uma pilhéria, por entre campos de batalha ensangüentados
e tenebrosas chamas de incontáveis fogueiras, tagarelar sobre a "Fraternidade
das Religiões"!
Não
só entre as religiões é que a luta contínua acontece. Mesmo dentro da esfera de
uma única religião formam-se seitas, que amiúde empreendem guerras entre si. O
Cristianismo se tornou proverbial entre as nações não-Cristãs por causa dos
ódios mútuos dos seguidores do "Príncipe da Paz". Católicos Romanos e
Anglicanos, Luteranos e Calvinistas, Wesleyanos, Batistas, Congregacionistas,
etc, tumultuam a paz das nações por suas furiosas controvérsias. A Grã-Bretanha
e a Irlanda pagam hoje a herança de ódio gerada pelos danos cruéis infligidos
sobre os Católicos Romanos pelo terrível código penal criado por um Parlamento
Protestante; hoje em dia (1907) o Reino Unido se precipitou em uma grande
querela constitucional por causa dos ódios entre Anglicanos e Não-Conformistas,
que não são capazes de concordar nem mesmo sobre uma base mínima de ensinamento
Cristão comum que poderia ser ensinado nas escolas nacionais às crianças de
todos os Cristãos. A França está dividida em duas e sob ameaça de guerra civil
como resultado da vingança dos Livres-Pensadores sobre a Igreja Católica Romana
por causa dos males que esta lhes causou em seus dias de supremacia. Na Bélgica
os assuntos políticos são decididos pela maioria ora clerical ora anticlerical.
O Islã tem as acirradas lutas entre os Xiitas e os Sunitas, ao passo que ambos
se unem para denunciar o infiel Sufi. Mesmo no Hinduísmo há hoje os lados
fanatizados dos Vishnuítas e dos Shivaítas, que se denunciam mutuamente com uma
bitolação imitada dos exemplos missionários. A controvérsia religiosa se tornou
o protótipo do que há de mais amargo e não-fraterno nas lutas do homem contra
homem.
Mas
não foi sempre assim. O antagonismo entre as religiões é uma planta que cresceu
só há pouco, a partir da semente de uma reivindicação essencialmente moderna -
a de que apenas uma única religião é a especial e que somente ela é inspirada.
No mundo antigo havia muitas religiões, e em sua maior parte a religião era
coisa nacional, de modo que o homem de uma nação não tinha o desejo de
converter o homem de outra nação. Cada nação tinha sua própria religião, assim
como tinha suas próprias leis e seus próprios costumes, e os homens nasciam e
permaneciam no credo de sua terra natal. Daí que, se olhamos para a história do
mundo antigo, ficamos surpresos com a raridade das guerras religiosas. Mesmo
quando os Hebreus invadiram a Palestina e mataram os habitantes idólatras da
região, isso foi antes uma guerra de conquista, causada pela cobiça comum, e
uma guerra entre Javé, seu Deus particular, e os Deuses do povo invadido; de
fato, a antiga tendência geral de assimilar na sua própria religião os Deuses
das tribos conquistadas se apresentou muitas vezes na sua história; esta
tendência foi acidamente denunciada pelos profetas, não como uma heresia, mas
como uma apostasia nacional de sua própria Deidade particular, que os havia
libertado da tirania do Egito e conquistado a Palestina para eles. Além disso,
observaremos que, dentro de uma única religião, havia muitas escolas de pensamento
que coexistiam sem ódio. O Hinduísmo tem seus seis darshanas - seis
"pontos de vista" - e mesmo que os filósofos disputem e debatam, e
que cada escola defenda sua própria posição, não há falta de sentimento
fraterno, e todos os filósofos ainda são ensinados dentro da uma mesma tol ou
pâthashâlâ - escola religiosa. Até em um mesmo sistema filosófico, o Vedânta,
há três subdivisões reconhecidas - Advaíta, Vishishtâdvaíta, e Dvaíta -
diferindo no mais fundamental dos ensinamentos: a relação entre Deus e o
espírito individual - mas todas convivem lado a lado, e os colegas da mesma
escola aprendem uma, duas ou as três sem atacar a ortodoxia alheia. Uma pessoa
pode pertencer a qualquer uma das três, ou a nenhuma delas, e ainda continuar
sendo um bom Hinduísta, embora, como disse antes, nos tempos modernos o
sectarismo religioso tenha se tornado mais acirrado.
No
poderoso Império da Roma Antiga todos os credos eram bem-vindos, todas as
religiões eram respeitadas, e mesmo honradas. No Panteão - o templo de todos os
Deuses - de Roma eram encontradas as imagens que simbolizavam os Deuses de
todas as nações súditas, e os cidadãos romanos demonstravam reverência a todos.
E se uma nova nação entrava na órbita do Império, e se esta nação adorava uma
forma de Deus diversa daquelas já cultuadas, as imagens ou símbolos dos Deuses
da nova nação-filha eram trazidos para o Panteão da Pátria-Mãe com toda a
honra, onde eram entronizados com reverência. Assim, todo o mundo antigo era
todo permeado pela idéia liberal de que a religião era um assunto de caráter
privado ou étnico, onde ninguém tinha o direito de interferir. Deus estava em
toda parte, em todas as coisas; que importava a forma sob a qual era adorado?
Ele era um só Ser invisível e eterno, com muitos nomes; que importava o título
pelo qual era invocado? A palavra de ordem da liberdade religiosa do mundo
antigo ressoa na esplêndida declaração de Shri Krishna: "Por quaisquer
caminhos que os homens tomem para se aproximar de Mim, ali mesmo Lhes dou as
boas-vindas, pois de todos os lados todos os caminhos são Meus".
A
primeira vez em que a perseguição religiosa manchou os anais da Roma Imperial
foi quando o jovem Cristianismo entrou em conflito com o Estado, e derramou-se
o sangue de Cristãos, não como sectários religiosos, mas como traidores
políticos, e como perturbadores da paz pública. Eles reivindicaram supremacia
sobre as antigas religiões, e assim provocaram ódios e tumultos; eles atacaram
as religiões que até então haviam vivido em paz lado a lado, declarando que só
eles estavam certos, e os outros todos, errados; eles suscitaram o
ressentimento por causa de sua atitude agressiva e intolerante, causando
distúrbios aonde quer que fossem. E pior ainda, deram origem a suspeitas mais
sérias a respeito de sua lealdade ao Estado, ao se recusarem a tomar parte na
cerimônia usual de espargir incenso no fogo que ardia diante da estátua do
Imperador reinante, e denunciaram a prática como idólatra; Roma viu sua
soberania ameaçada pela nova religião, e o mesmo tempo que era largamente
tolerante para com todas as religiões, era duramente intolerante contra
qualquer insubordinação política. Foi como rebeldes, e não como heréticos, que
ela lançou Cristãos aos leões, e os expulsou de suas cidades para que vivessem
em cavernas e nos desertos.
Foi
essa reivindicação do Cristianismo, a de ser a única religião verdadeira, que
deu origem às perseguições religiosas, primeiro do Cristianismo, e depois por
ele. Pois enquanto a sua religião é sua e a minha é minha, e ninguém pretende
impor a sua religião sobre o outro, não pode surgir nenhum motivo de
perseguição. Mas seu eu digo: "Sua concepção de Deus está errada e a minha
está certa, só eu tenho a verdade, e só eu posso apontar o caminho da salvação;
se você não aceitar minha idéia encontrará a danação"; então, logicamente,
se eu pertenço à maioria, devo virar um perseguidor, pois é mais interessante
assar heréticos aqui do que permitir que espalhem suas heresias, danando a si
mesmo e a outros para sempre. Se, porém, sou da minoria, provavelmente serei
perseguido por homens que não tolerarão tão prontamente a arrogância de irmãos
que não lhes permitem olhar para os céus senão através de seu próprio
telescópio especial.
De
perseguido o Cristianismo passou a dominante, e arrebatou o poder do Estado. A
aliança entre Estado e Igreja tornou meio políticas as perseguições religiosas.
A heresia na religião se tornou deslealdade; a recusa em crer da mesma forma
que o Chefe de Estado se tornou traição contra aquele Chefe; e assim foi
escrita a triste história da Cristandade, uma história que todos os que amam a
Religião - sejam Cristãos ou não - devem ler com vergonha, com tristeza, e
quase com desespero. E como a "Divindade que modela nossos fins"
determinou a ruína nacional como o mau fruto da falta de fraternidade em
religião! A Espanha empreendeu uma feroz perseguição contra os Mouros e os
Judeus; ela os queimou aos milhares, os torturou e mutilou; quando cansou de
assassínios ela os exilou, e suas estradas ficaram coalhadas de cadáveres ao
longo daquele grande êxodo, cadáveres de velhos, de mulheres, de mães com
bebês, de crianças pequenas; as lágrimas, os gritos dos fracos que ela esmagou
tão impiedosa, se tornaram os Vingadores que a levaram à ruína, e ela caiu de
sua posição de Senhora da Europa para o Poder negligenciável que é hoje.
O
Islã contraiu do Cristianismo a doença mortal da perseguição, e esqueceu os
sábios ensinamentos de Alá para seguir o mau caminho do assassínio do infiel. O
nome de Maomé, o Misericordioso, foi usado para afiar as espadas de seus
seguidores, e na Índia a queda do Império Mogul nasceu dos gritos dos
agonizantes, mortos por sua fé em Aurangzeb. Na Índia, assim como na Espanha, a
perseguição religiosa resultou em desastre político. Por isso a necessidade de
fraternidade é encarecida pela destruição que resulta da falta de fraternidade.
Uma lei da natureza é provada tanto pela destruição de tudo o que se lhe opõe
como pela permanência de tudo o que se harmoniza com ela.
A
multiplicidade de credos religiosos seria uma vantagem, e não um prejuízo, para
Religião, se as religiões fossem uma fraternidade em vez de um campo de
batalhas. Pois cada religião tem uma peculiaridade própria, algo de especial
que as outras não têm para dar ao mundo. Cada religião pronuncia uma letra do
grande Nome de Deus, o Um sem outro, e este Nome só será pronunciado quando
todas as religiões emitirem a letra que lhes foi dada para emitir, em melodiosa
harmonia junto com o resto. Deus é tão grande, tão ilimitável, que nenhum
cérebro humano, por maior que seja, nenhuma religião, por mais perfeita que
seja, é capaz de expressar Sua perfeição infinita. É preciso um universo em sua
totalidade para espelhá-Lo, ou melhor, universos incontáveis não bastam para
esgotá-Lo. Uma estrela pode falar de Sua Radiância, Ele que é o Sol de tudo; um
planeta, girando em ritmo constante, pode falar de Sua Ordem. Uma floresta pode
sussurrar Sua Beleza; uma montanha, Sua Força; um rio, Sua Vida fertilizadora;
um oceano, Sua Mutabilidade imutável; mas nenhum objeto, nenhuma beleza de
forma, nenhum esplendor de cor, nem mesmo o coração do homem onde Ele habita,
pode expressar as múltiplas perfeições deste Ser de riqueza infinita. Em cada
objeto, em cada tipo de vida, se vê apenas um fragmento de Sua Glória, e
somente a totalidade das coisas, passadas, presentes e futuras, pode
representar, com sua infinitude, a Sua Infinitude.
Da
mesma forma uma religião só pode expressar alguns aspectos desta Existência
multifacetada. O que o Hinduísmo diz ao mundo? Ele diz DHARMA - lei, ordem,
crescimento harmônico e regrado, o lugar certo para cada um, o dever correto, a
obediência correta. O que diz o Zoroastrianismo? Diz PUREZA - pensamento,
palavra e ato imaculados. O que diz o Budismo? Diz SABEDORIA - o Conhecimento
todo-abrangente, esposado ao perfeito Amor, amor ao homem, serviço à
humanidade, Compaixão perfeita, a condução do mais baixo e do mais fraco para
dentro dos ternos braços do próprio Senhor do Amor. O que diz o Cristianismo?
Ele diz AUTO-SACRIFÍCIO, e tem na Cruz seu mais caro símbolo, a lembrar que
onde quer que um Espírito humano crucifique a natureza inferior e se erga ao
Supremo, ali refulge a Cruz. E o que diz o Islã, a mais jovem das grandes Fés
mundiais? Ele diz SUBMISSÃO - auto-entrega à Vontade única que rege os mundos;
e vê aquela Vontade em toda a parte, de modo que não pode entender as pequenas
vontades humanas que vivem senão quando elas se fundem n'Ela.
Não
podemos permitir que se perca uma só destas palavras que resumem as
características de cada grande Fé; assim, mesmo reconhecendo as diferenças
entre as religiões, as reconheçamos também para podermos aprender, antes de
criticá-las. Que o Cristão nos ensine o que tem a ensinar, mas que não se
recuse a aprender de seu irmão Islamita, ou de seu irmão de qualquer outro
credo, pois cada um tem algo a aprender, e também algo a ensinar. E, em
verdade, melhor prega sua religião aquele que a torna seu poder motivador, em
amor a Deus e serviço ao homem.
Analisemos
em detalhe o porquê de não devermos disputar, à parte destes princípios gerais.
Isso pode ser resumido em uma única frase: Porque todas as grandes verdades das
religiões são uma propriedade coletiva, e não pertencem com exclusividade a
nenhuma Fé. Por isso não se ganha nada de vital ao trocarmos de religião. Não
precisamos percorrer todo o campo das religiões do mundo a fim de encontrarmos
as águas da verdade. Cavemos no campo de nossa própria religião, mais e mais
fundo, até encontrarmos jorrando, pura e copiosa, a fonte da água da vida.
Será
mesmo verdadeira a frase acima, sobre a universalidade das verdades religiosas,
ou se trata apenas de palavreado? Podemos seguir quatro linhas de estudo a fim
de provarmos que é um fato: os Símbolos comuns a todas; as Doutrinas comuns; as
Lendas comuns, e a Moralidade comum a todas. Cada uma destas linhas poderia ser
uma seção de todo um livro intitulado A Fraternidade das Religiões, mas em uma
palestra, ou num artigo, elas só podem ser abordadas superficialmente, com a
esperança de que o ouvinte ou o leitor consulte uma biblioteca depois de o
esboço ter-lhe sido apresentado, e faça ele mesmo o estudo que só foi delineado
esquematicamente.
Símbolo:
Em
toda a parte, nos templos, tumbas e outros edifícios das religiões vivas e
mortas, encontram-se os mesmos símbolos.
Tomemos
a Cruz. Que a Cruz foi usada em todo o mundo como símbolo religioso muito antes
do tempo de Jesus, chamado de o Cristo, já não é matéria de debate, mas de
constatação comum. A pesquisa arqueológica já estabeleceu isso quanto ao
passado, e a observação durante viagens o estabelece quanto ao presente. O povo
etrusco já era antigo antes da Roma infante nascer. As tumbas etruscas
pertencem a um tempo tão remoto que, quando algumas delas foram abertas em
nossos dias, somente a primeira pessoa que as penetrou pôde vislumbrar o perfil
de um corpo, antes que este se desintegrasse em pó impalpável por causa do
afluxo de ar. Mas embora o corpo da pessoa virasse pó, seus artefatos
sobreviveram, e vasos junto aos pés, jarros e salvas e outros objetos falam de
sua Fé: nestes antigos exemplares de cerâmica foi traçada a cruz, dizendo que
aquele homem, cujo corpo se desvaneceu em poeira invisível, havia morrido na
certeza da vida imortal, triunfante sobre a morte. Do Egito - onde ela está
gravada em obeliscos, pintada em câmaras mortuárias onde múmias jazem em seus
sarcófagos, afrescada em paredes de templos - ela viajou para leste através da
Assíria, Caldéia e Índia, até a China. Tabuletas assírias, cerâmica caldéia,
templos indianos e chineses, empregam a cruz como um precioso símbolo da vida.
Viajou também através do Pacífico até a América; existe no México, onde os
antigos templos maias e quíchuas estão sendo desenterrados por exploradores
incansáveis, e ali se vê mais uma vez reproduzida a cruz em sua forma egípcia.
Atravessando novamente o Atlântico, chegou à Escandinávia, e nas antigas sagas
se ouve falar do Martelo de Thor, mais uma vez a cruz. Deixemos os edifícios
puramente religiosos e passemos ao Templo Maçônico, o tesouro do simbolismo
antigo, e ali, trazida do antigo Egito, está a Cruz sobre a Rosa - a Cruz,
símbolo da vida; a Rosa, símbolo da matéria e igualmente símbolo do mistério. E
mais, o próprio símbolo do R.W.M., gravado ou usado como jóia, não passa da
Cruz Svástika dobrada sobre si mesma até adquirir aquela forma.
Por
que a Cruz é assim tão universal? Porque é o sinal do Espírito triunfando sobre
a matéria, modelando-a, conformando-a, forçando-a a receber sua marca. É o
símbolo do poder criativo, do Deus Supremo sacrificando a Si mesmo dentro das
limitações da matéria, assim como em dias mais recentes e desespiritualizados
se tornou o símbolo do poder criativo no pólo inferior do ser, em vez de no
pólo superior. Pois a cruz como símbolo fálico, como tanto se tornou nestes
últimos tempos, é apenas a cruz arrastada do céu para a terra; assim como, em
verdade, o poder criativo nos homens, animais e plantas, é o reflexo, na
matéria densa, da Vida Universal de onde todos nós nascemos. O mais santo dos
poderes, em verdade, embora degradado aos seus usos mais vis. E a cruz
significou também, através de uma fácil transição, o seguro renascimento da
vida além da tumba ou da pira, a certeza da imortalidade. Quem, então, pode
dizer, em qualquer sentido exclusivo, "a Cruz é minha"? Minha sim,
quando incluir a tudo. Minha, quando não excluir nada.
E
o duplo Triângulo, um voltado para cima e outro para baixo? Ele é tão universal
quanto a Cruz, simbolizando o entrelaçamento do Espírito e da Matéria, do fogo
e da água do mundo antigo. E a Estrela de cinco pontas, que é a Jóia no Lótus,
o Eu no homem? E a Estrela de sete pontas, e a de nove? E o Círculo com um
ponto no centro, ou com uma Cruz inscrita, ou com uma Cruz acima ou abaixo
dele? E o Olho, sozinho ou dentro de um Triângulo? E o Lótus, ou o Lírio, de
Vishnu e da Virgem Maria? E o Disco giratório, ou relâmpago, da China, Japão,
Índia, Tibete, Grécia, Roma e Escandinávia? E a Serpente - do Bem e do Mal - e
o Dragão, e a Fruta, e a Árvore? Mas o tempo é escasso para mencionar sequer um
décimo de todos os símbolos gerais, comuns à mais remota antigüidade da qual
permanecem traços e à mais recente igreja construída pelo mais moderno
arquiteto. E isso que não falei nada do simbolismo dos ritos e cerimônias, da
tonsura, da sobrepeliz, da estola e da capa; da mão erguida com dois dedos e o
polegar se tocando, gesto usado pelo Papa e pelo sacerdote pagão; do cerimonial
dos gestos, das aspersões simbólicas - e de uma hoste infindável de detalhes.
Não
existe senão Um Deus, uma só Natureza, e uma só Religião. E o simbolismo é a
linguagem geral com que todas as religiões falam de sua origem a partir da
religião única, a RELIGIÃO-SABEDORIA, a RELIGIÃO-MUNDIAL, antiga mas sempre
nova, e com que também contam as verdades perenes sobre Deus e a Natureza,
motivo pelo qual foram instituídas pelos Irmãos Mais Velhos da Humanidade. O
simbolismo é a linguagem comum, e nenhuma religião que o emprega - e todas o
empregam - pode reivindicar ser especial.
Doutrinas
Comuns a Todas:
Passemos
à análise das doutrinas que são comuns a todas as grandes religiões, e
descobriremos que as verdades fundamentais sobre onde cada religião é erguida
formam uma mesma estrutura básica.
Quais
são estas doutrinas principais? A Unidade de Deus; a Trindade da manifestação
divina; as Hierarquias suprafísicas e seus mundos; a Natureza do Homem; sua
Evolução; as grandes Leis. Há outras, mas neste breve sumário devo me limitar
às mais importantes.
1
- A Unidade de Deus. Qual religião pode reivindicar um monopólio desta
doutrina? Pergunte ao Hinduísta e ele responderá: "Só existe Um, não há
outro". Pergunte a um Parsi, e ele falará de Zarvan Akarana, o Ilimitado.
Pergunte ao Judeu, e ele dirá: "Ouve, oh Israel! O Senhor nosso Deus é Um".
Pergunte ao Budista, e ele falará do Um, incriado, universal, de onde vêm a
criação e os particulares. Pergunte ao Cristão e ele responderá "Só há um
Deus". Pergunte a um filho do Islã, e ele bradará "Só Deus é Deus, e
não há nenhum outro". Os grandes doutores do Islã e os grandes pândits
Vedânta do Hinduísmo discorrem exatamente nas mesmas linhas sobre a Existência
universal única, e estes arrazoados formam uma das pontes entre o Hinduísmo e o
Islamismo por onde, esperamos, muitos pés poderão passar em dias vindouros. As
religiões, em face destas declarações categóricas de cada uma, não podem
disputar sobre a questão da unidade. Tudo o que podem fazer é vestir a grande
verdade única em roupagens diferentes, e rotulá-la como nomes diferentes. Mas
um homem permanece o mesmo homem quando muda seu casaco, e uma verdade
permanece a mesma verdade, embora expressa em línguas diversas. Cada religião
tem sua própria língua, e as variedades de língua mascaram a identidade de
crença.
2
- A Trindade da Manifestação Divina. A
que religião pertence com exclusividade o ensinamento sobre a Trindade? Neste
ponto as religiões mortas do passado reforçam as religiões vivas do presente -
como de fato o fazem todas as verdades básicas. O filósofo Hindu diz: Sat,
Chit, Ânanda; a voz popular proclama: Brahmâ, Vishnu, Mahâdeva. O Budista fala
de Amitâbha, a Luz Ilimitada, Avalokiteshvara e Manjusri; O Parsi, de
Ahura-Mazda, Spento e Angro-Mainyush, e Armaiti; o Hebreu, de Kether, Binah e
Chockmah; O Cristão, do Pai, Filho e Espírito Santo. O Muçulmano, por razões
históricas óbvias, não se junta ao coro; ele diz "Ele não engendra, nem é
engendrado", aludindo ao ensinamento Cristão; mesmo assim no Corão
rebrilham os atributos de o Poderoso, o Misericordioso, o Sábio, tão
característicos da triplicidade do Ser. Esta triplicidade é melhor acompanhada
mantendo-se claras na mente as marcas características de cada aspecto - do
primeiro, a Fonte da Eterna Beatitude, a Auto-existência, o Poder; do segundo,
a Fonte da Consciência, de onde procedem as encarnações; do terceiro, a Mente
Criativa ativa que dá existência ao universo.
3
- As Hierarquias Suprafísicas e seus Mundos. Aqui a diferença de língua, de
expressão, mencionada antes, tem dado origem a muitas concepções equívocas. No
Ocidente, Deus e seus equivalentes sempre significam o Um, sendo, além disso,
declarado pelo Cristianismo que cada uma das Três Pessoas da trindade é Deus,
formando em sua totalidade um só Deus, e não três; há uma unidade de natureza
com uma diversidade de características. Mas esta palavra Deus jamais é aplicada
no Ocidente às vastas Hierarquias suprafísicas que povoam os degraus superiores
da escada do Ser. Eles são os Arcanjos, Anjos, Querubins, Serafins, Potestades,
venerados, invocados, muitas vezes cultuados, mas sempre reconhecidos como
ministros, como agentes do Supremo. Estes seres são conhecidos pelo Parsi como
os Ameshaspentas e suas hostes; pelos Hebreus e Maometanos como Anjos; pelos
Hindus e Budistas como Devas - literalmente Seres Brilhantes, um epíteto descritivo
de fato adequadíssimo. Infelizmente os Ocidentais têm traduzido a palavra Deva
como Deus, e por isso temos os trinta e três milhões de Deuses, sobre os quais
os ignorantes fazem troça. A palavra Brahman é o verdadeiro sinônimo da palavra
Deus, e Deva o é de Anjo. Todo leitor de literatura inglesa sabe que John
Bunyan, em seu Pilgrim's Progress, usa este mesmo termo, os Seres Brilhantes,
para designar os Anjos; e esta é a palavra natural para qualquer vidente usar,
tendo-os visto fulgurar através do empíreo em suas missões de administração, de
socorro e de libertação. O Deva, para o Hinduísta e o Budista, é exatamente o
mesmo que o Arcanjo e o Anjo do Cristão e do Muçulmano, e sua existência não
tira nada da unidade de Deus em um caso mais do que no outro. Se fôssemos
seguir esta linha de argumento poderíamos da mesma forma supor que os
Vice-reis, os Juízes, os Magistrados, os Comissários, os Generais e os
Almirantes do Império diminuem a autoridade suprema do Rei-Imperador, como os
Devas diminuiriam a supremacia de Deus. Eles apenas administram as leis da
natureza, auxiliam os homens, mulheres e crianças, salvam-nos de muitos perigos
e os encorajam em muitas aflições; não é que eles sejam Deus - a não ser que
neste sentido também sejamos Deus - mas que Deus está neles assim como em nós,
e só podem entender o politeísmo dos Hinduístas e Budistas aqueles que percebem
que "é por causa do Eu que o Deva é amado". Quão miserável, quão
solitário seria o mundo se só houvesse as inteligências do homem e de Deus!
Quão vazio seria, não fosse por estes Seres Brilhantes que ocupam cada degrau
da escada acima de nós! Há uma vasta escada de consciência desde o mineral até
o Senhor do Universo, e estamos em determinado nível nesta escada, não
diferindo em essência daqueles acima ou abaixo de nós. Os Devas não perturbam,
mais que os homens, a unidade de Deus.
É
fato que os Hinduístas e os Budistas, assim como os Católicos Gregos e Romanos,
tiram partido do ministério dos Anjos, e invocam estes Ministros divinos. Por
que não? O Anjo, o Deva, encarna um fragmento do Eu Universal, e a luz de
Brahman brilha através dele. Será errado que os frágeis rebentos de piedade,
amor e culto no mais ignorante, mais tolo e mais subdesenvolvido dos filhos do
Pai Universal, cresçam debaixo da forma radiosa de alguma Inteligência
benévola, mais prontamente compreensível, mais facilmente adorável do que o Eu
Onipresente? Idolatria? Ah, não! Não no mau sentido; a idolatria errada é
adorar o eu separado; a idolatria certa é adorar o Eu Universal sob qualquer
forma que estimule a inteligência, que avive o coração.
Os
mundos das Hierarquias são os mundos mais sutis que o físico, imperceptíveis
pelos sentidos físicos. Os livros Hindus e Zoroastrianos falam extensamente
destes mundos e deles dão muitas descrições. O Buda nos fala que viu estes
mundos, "o mundo abaixo, com todos os seus espíritos, e os mundos
acima". Os Cristãos e Muçulmanos acreditam em um céu e um inferno, e suas
escrituras falam disso. Não vale a pena nos estendermos em fatos tão bem
conhecidos.
4
- A Natureza do Homem. O homem é divino, em sua essência mais íntima é um
Espírito, usando vestes de matéria. O Hindu proclama "Eu sou Ele". O
Budista Chinês fala do "homem verdadeiro sem posição", o
Espírito-jóia no lótus do corpo. O Fravarshi do Zoroastriano é o Âtmâ do Hindu.
O Hebreu declara "Vós sois Deuses", e o Cristão proclama exultando
que o corpo é o templo de Deus. O Muçulmano não fala tão claramente, mesmo
assim temos a imortalidade claramente atribuída ao homem, e então quando lemos
que "tudo perecerá salvo a Face de Deus" (Al-Corão, XXVIII) somos
forçados a concluir que eles também reconhecem a identidade na natureza de Deus
e do Homem.
E
esta unidade transparece claramente no ensinamento Sufi: Jãmi declara:
Tu
és o Ser absoluto; tudo o mais não passa de um fantasma, pois em Teu universo
todos os Seres são um.
Tua
Beleza, que cativa o mundo, a fim de expressar suas perfeições aparece em milhares
de espelhos, mas é uma só.
No
Gulshan-i-Raz lemos:
Tu
és o olho da reflexão enquanto Ele é a luz do olho...
Quando
olhas bem dentro da raiz da matéria, Ele é o Vidente, e o Olho, e a Visão.
Às
vezes se pergunta: "O homem tem um Espírito?" Não, não tem. Ele é um
Espírito e possui um corpo. O corpo não possui o Espírito, mas o Espírito
possui o corpo. Ele não é dono do Espírito, mas o Espírito é o senhor do corpo.
O corpo é transitório, o Espírito é eterno; o corpo nasce e morre no mundo; o
Espírito é não-nascido, é imortal. Se alguma vez observamos um moribundo, que
conheceu sua própria natureza, e viu como o Espírito se rejubila na vida mais
vasta e potente que se abre diante de si quando é descartado o peso da carne,
devemos ter compreendido a verdade da frase que diz que não existe tal coisa
chamada morte, em qualquer sentido real do termo. A morte é a passagem de uma
sala para outra dentro da mansão do universo; a morte é a retirada de um pesado
capote e a passagem para uma vida em traje mais ligeiro. Na morte o homem não
perde nada de seus poderes espirituais, intelectuais e emocionais; ele não
perde nada senão a carne. Nós somos Espíritos, Centelhas do Fogo Único, Raios
de um Único Sol; estamos na imagem da eternidade de Deus; somos tão eternos
quanto Ele.
5
- Sua Evolução. Aqui pode brotar uma pergunta dos lábios de alguém: "Não
se pode dizer que as religiões ensinem o mesmo a este respeito. Como se pode
reconciliar a reencarnação do Hinduísta com a criação especial de cada Espírito
do Cristão?" Obviamente não se pode; a doutrina de uma criação especial
para cada Espírito é moderna, antifilosófica e blasfema, e completamente
indefensável. Mas posso alegar que até 533 dC o Cristianismo não negava a
pré-existência do Espírito, e cabe aos Cristãos explicar por que negaram a
antiga doutrina e impuseram uma heresia ao mundo Cristão. A doutrina da
reencarnação - o desdobramento dos divinos poderes do Espírito através de uma
série de veículos cada vez mais evoluídos e melhores - é uma doutrina comum a
todas as antigas Fés. O Hinduísmo e o Budismo a ensinam, ou mais precisamente,
fundamentam seus ensinamentos neste fato natural bem estabelecido. Os Egípcios
baseavam nela suas concepções da vida pós-morte; Platão, Pitágoras e os mundos
grego e romano a reiteravam. Os Judeus a ensinavam, como pode ser lido em
Josephus, na Kabbala, e em outros lugares. Era a doutrina corrente no tempo de
Jesus, e foi aludida por Ele em mais de uma ocasião; diversos Padres da Igreja
a ensinaram; a doutrina permaneceu na Igreja Cristã entre algumas seitas como
os Albigenses; reapareceu com força na Igreja da Inglaterra, nos séculos XVII e
XVIII, e foi ensinada por clérigos desta Igreja assim como por leigos eruditos.
Um pouco mais tarde Wordsworth cantou:
Nosso
nascer é apenas dormir, é tão-somente olvidar...
E
esta alma que vive em nós, de nossa vida a estrela, já habitou noutro lugar, e
bem de longe procede ela.
Mais
uma vez, em nossos dias, esta doutrina está sendo pregada na Cristandade por
clérigos da Igreja Fundamentalista. Há uma frase, acreditada pelos Cristãos ter
sido dita por seu Mestre, que é de longe um argumento mais persuasivo do que o
que emerge do significado de textos disputados: "Sêde, pois,
perfeitos", ordenou Ele aos Seus discípulos, "assim como vosso Pai
que está no céu é perfeito". Perfeitos assim como Deus é perfeito.
Pretende-se que qualquer um de nós, frívolos, tolos, limitados, podemos - antes
que o túmulo nos receba ou o fogo nos consuma - nos tornar tão perfeitos como
Deus é perfeito, onisciente, todo-poderoso, todo-santo? Que palavras humanas
podem abranger a descrição das perfeições do Supremo? Mesmo assim Jesus não
hesitou em dizer "Sêde perfeitos assim como vosso Pai no céu é
perfeito". Como este mandamento pode ser obedecido senão através de
muitas, muitas vidas, ao longo das quais subimos lentamente na longa escada da
perfeição?
Que
nenhum Cristão, pois, deixe de reivindicar sua esplêndida herança como filho de
Deus: que ele reclame seu direito de nascença de reproduzir a semelhança divina
em si mesmo.
A
posição do Muçulmano quanto à reencarnação é duvidosa: alguns sustentam que ela
pode ser inferida do Corão, mas certamente ela não faz parte da educação
religiosa Muçulmana comum. Mas no século XIII d.C temos o dervixe Jelâl, cujos
ensinamentos são preservados no Mesnavi, e ele diz:
Eu
morri como mineral, e me tornei uma planta.
Eu
morri como planta, e reapareci em um animal.
Eu morri como animal, e me tornei um homem.
Por
que então devo temer?
Quando
é que me tornei menor ao morrer?
Da
próxima vez eu morrerei como homem, para que possa ganhar asas de anjo.
E
mesmo do anjo devo esperar avanço; todas as coisas perecerão, salvo Sua Face.
Mais
uma vez devo alçar meu caminho acima dos anjos;
E
me tornar o que não cabe na imaginação, e por fim me tornarei nada, nada; pois
as cordas da harpa cantaram para mim:
"Em
verdade havemos de voltar para Ele".
A
posição do Zoroastriano também é dúbia neste ponto - alguns Parsis a afirmam,
outros a negam; e somente podemos apontar para o fato de que o Zoroastrianismo
é "uma religião em fragmentos", e dizer que esta doutrina é ensinada
nos escritos gregos e neoplatônicos, que parecem reproduzir os ensinamentos
Persas, depois da destruição da biblioteca de Persépolis por Alexandre.
6
- As Grandes Leis. Por "Grandes Leis" quero significar a Lei do
Karma, ou de causa e efeito; e a Lei do sacrifício, ou de propagação e
manutenção da vida.
A
Lei do Karma é apresentada pela ciência nas seqüências invariáveis que ela
chama de leis da natureza; o teólogo a chama de justiça divina. É a rocha sobre
onde tudo é construído, o verdadeiro sustentáculo de todo o pensamento e de
toda atividade. Ela prevalece em todos os mundos, densos e sutis; é uma lei
universal. É bem clara no versículo Cristão: "Não vos enganeis, de Deus
não se zomba; o que quer que um homem plante, aquilo é o que colherá"
(Gálatas, VI, 7). Diz Buda: "Se um homem fala ou age com pensamento
maligno, a dor o segue, assim como a roda segue as pegadas do boi que puxa o
carro... Se um homem fala ou age com um pensamento puro, a felicidade o segue
como a sombra que jamais o abandona". O Hinduísmo abunda em tais passagens,
e elas podem ser colhidas em todas as escrituras.
A
Lei do Sacrifício é a declaração do fato de que tudo o que vive, vive pelo
sacrifício, forçoso ou voluntário, de outras vidas; que a Vida emanada do
Supremo é o esteio do mundo. Nos reinos inferiores o sacrifício é compulsório -
os minerais se desintegram para que a planta possa viver; as plantas, para que
animais e homens vivam. No reino humano, com o grande crescimento da
inteligência, se torna possível a associação voluntária da vontade individual
com a Vontade universal. À medida que isso se torna mais completo se desdobra a
vida espiritual, e por fim se realiza plenamente. O símbolo da Cruz encarna,
para o Cristão, a vida ideal de sacrifício; e todo aspirante a Brahman, a Buda,
ou a Cristo, trilha o Caminho da Cruz.
O
estudante pode expandir este breve resumo em um livro, e quanto mais ele
estudar, mais claramente transparecerá a Fraternidade de todas as Religiões,
expressa através de suas Doutrinas Comuns.
Temos
ainda de considerar as Lendas Comuns e a Ética Comum a todas elas.
As
Lendas Comum:
Há
certas histórias, que se contam sobre os Fundadores das Religiões, cujo perfil
é semelhante em todas elas; esta identidade de linhas gerais se deve ao fato de
que cada Fundador é visto como uma encarnação do Logos, e que o símbolo do
Logos, em todos os credos, é o Sol.
De
fato o Sol - a fonte da vida e da luz para os mundos deste sistema - é
considerado nas antigas religiões como sendo o corpo do Logos, Sua forma
manifesta no plano da matéria física, ao passo que nas religiões modernas o Sol
é usado como símbolo do Senhor onipresente, imagem perfeita para Aquele que
sustenta todos os mundos. A sempre repetida lenda do Sol, a história anual de
nossa Terra, é a verdade fundamental, é o mito estruturador da manifestação
física de todo Fundador de uma grande religião, e Suas vidas humanas sempre
repetem o drama do Sol sobre o palco do mundo.
Esta
declaração não vale quanto à religião do Islã, e a razão é evidente. O grande
Profeta da Arábia é considerado pelos seus seguidores como sendo puramente
humano, e não como uma encarnação do Logos, e eles pensam corretamente; mas em
todas as religiões onde o Fundador é visto como uma encarnação divina reaparece
o perfil do grande mito. Este fato tem sido usado como argumento para provar
que os Fundadores não possuem existência histórica, mas isso é um equívoco. A
vida histórica contém os elementos que reencarnam o mito, e da figura histórica
fulgem os raios do Sol divino; não é que seja o Sol o Fundador, mas que ambos,
Sol e Ele, são representantes físicos da vida central de um sistema mundial, e
aquilo que o Sol é para seu sistema o Fundador é para Sua religião.
O
Mitra da Pérsia tinha como ícone o Touro, assim como Osíris no Egito, porque o
Touro era o signo zodiacal do equinócio vernal - a Ressurreição - quando a
religião se estabeleceu; Oannes na Caldéia tinha o Peixe como símbolo, pela
mesma razão; Júpiter era Júpiter Ammon; e Jesus era o Cordeiro, pela mesma
razão.
O
Fundador Divino nasce em um lugar secreto, assim como o fez Shri Krishna em uma
prisão, e o Senhor Mitra em uma caverna, e o Senhor Jesus em uma gruta - mudada
para estábulo nos relatos canônicos. Os mistérios de Adônis antes eram
celebrados, diz-se, também numa gruta. O nascimento é no solstício de inverno,
e é sempre acompanhado por eventos maravilhosos, que variam conforme a nação.
Os Devas fazem chover flores sobre Devâki, a mãe, e sobre seu Filho Divino; os
Anjos enchem o ar com suas canções quando Maria, a Mãe Virgem, dá à luz o
Divino Infante; vozes divinas cantam que o Senhor nasceu quando Neith, a Virgem
Imaculada, dá nascimento a Osíris, o Salvador; quando nasce Zoroastro, a luz de
seu corpo enche o aposento com sua radiância; os Devas cantam jubilosos quando
Buda nasce, e nos escritos chineses, embora não nos indianos, diz-se que ele
nasce de uma Mãe Virgem, Mâyâ, encoberta por Shing-Shin, o Espírito. O
nascimento de diversos destes Seres foi anunciado pelo aparecimento de uma
estrela. Krishna e Jesus foram ambos ameaçados de morte na infância, um por
Kamsa, o outro por Herodes. Nârada proclama a natureza de Krishna infante,
Asita fala das futuras glórias do pequeno Buda, Simeão saúda o Jesus bebê como
a salvação do mundo. Buda é tentado por Mâra, e Jesus por Satã. Todos estes
Grandes Seres curaram doentes, endireitaram deformados, ressuscitaram mortos.
Assim
se assemelhando em suas vidas, os Fundadores das Fés mundiais se assemelharam
também em suas mortes. Sua morte é violenta, de qualquer forma que ocorreu; e
sempre emergiu da idéia de sacrifício, o sacrifício do Logos por quem os mundos
foram criados, como consta no Purusha Sukta do Rig-Veda. Desta morte Eles se
erguem triunfantes, ascendendo ao céu. Osíris é assassinado, Seu corpo é
desmembrado, como o do Purusha do Veda; mas Ele se ergue e reina. Thammuz é
lamentado morto, e festejado ressurrecto. A história de Adônis é uma réplica do
Thammuz sírio. Krishna é alvejado por uma flecha de um caçador, e sobe para Seu
próprio mundo. Mitra é morto, e ascende da morte, para a salvação de Seu povo.
Jesus é morto, mas se ergue e ascende aos céus. E todas as mortes e ressurreições
recaem no equinócio vernal.
Estas
inumeráveis semelhanças não podem surgir do acaso, são sinais de uma trajetória
comum, reaparecendo continuamente. As semelhanças superficiais saltam aos olhos
à medida que folheamos as páginas das escrituras mundiais, e quanto mais
estudamos, mais as lendas comuns se revelam os sempre repetidos contos de fadas
da Lenda Mundial.
Ética
Comum:
Que
uma moralidade sublime seja uma posse comum a todas as Religiões Mundiais é um
fato estabelecido bem demais para necessitar discussão. Tudo o que é preciso
aqui é fazer algumas poucas citações, o bastante para indicar os ricos veios de
metal de onde estas inestimáveis pepitas são retiradas.
Devolver
Bem pelo Mal. O Manu diz: "Com o perdão do mal o sábio é purificado";
"Não vos enfureçais com o homem furioso; se vos falam asperamente,
respondei com suavidade". No Sâma-Veda: "Faz a trocas difíceis de fazer:
paz pela ira; verdade pela falsidade". O Buda ensina: "A um homem que
tolamente me prejudica, lhe devolvo a doçura de meu amor incondicional; quanto
mais ele me der mal, mais bem lhe devolverei"; "Que um homem vença a
raiva com o amor; que vença o mal com o bem; que vença a cobiça com a
liberalidade, a mentira com a verdade"; "O ódio não cessa jamais com
ódio; o ódio cessa com o amor". Lao-Tsé diz: "Ao bom dou bondade; ao
não-bom também dou bondade. Ao fiel dou fidelidade; ao não-fiel também dou fidelidade;
a Virtude é fiel. Recompensa o mal com gentileza". Confúcio respondeu a um
questionador: "O que não queres para ti não o faças a outrem; quando
estiveres trabalhando para outros, que seja com o mesmo zelo como se fora para
ti mesmo". Jesus disse: "Amai vossos inimigos, abençoai os que vos
amaldiçoam, fazei o bem aos que vos odeiam, e rogai por aqueles que vos
desprezando abusam de vós e vos perseguem".
Humildade
e Ternura. Lao-Tsé diz: "Com vigilância constante sobre a natureza
passional, e com ternura, é possível se tornar uma criancinha. Afastando a
impureza do olho oculto do coração é possível se tornar imaculado. Há uma
pureza e quietude com as quais podemos reger todo o mundo. Por preservar a
ternura eu me torno forte". "O sábio... coloca a si mesmo por último,
mesmo assim ele é o primeiro; ele abandona a si mesmo, mas mesmo assim é
preservado. Não vem isso de ser altruísta? Por isso ele preserva intacto o
auto-interesse. Ele não se exibe, e portanto brilha. Ele não se autopromove, e
por isso é distinguido. Ele não louva a si mesmo, e por isso tem mérito. Ele
não louva a si mesmo, e assim permanece no alto". Jesus ensina: "A
não ser que vos torneis como crianças pequenas não podereis entrar no reino dos
céus"; "Aquele que exaltar a si mesmo será rebaixado, e aquele que se
humilhar será exaltado".
A
Retidão é mais Importante que as Formalidades. O Manu declara a lei da ação
"mental, verbal e corpórea": "desta ação tríplice, saiba o mundo
que é o coração o seu instigador"; "A um homem contaminado pela
sensualidade, nem os Vedas, nem a liberalidade, nem os sacrifícios, nem as
observâncias, nem as austeridades, lhe trarão felicidade". O Buda diz:
"É o coração da fé acompanhando as boas ações o que como que espalha uma
sombra benéfica do mundo dos homens ao mundo dos anjos". Jesus lamentou:
"Vós pagais dízimo da hortelã, do endro, do anis e do cominho, e omitistes
os preceitos mais importantes da lei - justiça, misericórdia e verdade".
Eu
poderia prosseguir assim citando texto após texto sobre cada virtude, e da
árvore de cada religião se poderia retirar folhas semelhantes. Pois todas
ensinam as mesmas verdades; todas são canais da vida única; todas as escrituras
repetem a mensagem única, porque só existe uma única grande Fraternidade de
Mestres, e cada um que dela procede fala a mesma língua.
Daí
que as religiões não são rivais, e não devem odiar-se mutuamente. Elas são
filhas de um mesmo pai, proclamando para o benefício da humanidade as verdades
que aprenderam na casa ancestral. Existe uma Fraternidade de Religiões real, e
todos os que estudam as religiões do mundo devem reconhecer a identidade de
seus ensinamentos. Para quem estuda Mitologia Comparada, todas as religiões são
igualmente falsas, e são frutos da ignorância. Para um Teosofista todas as
religiões são verdadeiras, e são o fruto da SABEDORIA. Toda religião tem o
mesmo direito a todas as verdades, e nenhuma pode reivindicar nada como seu
exclusivamente, "meu, não teu nem dele". Antes a frase verdadeira é
"meu, porque é teu e é também dele".
Há
uma só Religião - o conhecimento de Deus, e todas as religiões são ramos desta
mesma árvore, a Árvore da Vida, cujas raízes estão no céu enquanto seus ramos
se esparramam no mundo dos homens. A raiz celeste é a SABEDORIA - não a fé, não
a crença, não a esperança, mas o conhecimento do Deus que é a Vida Eterna. De
qualquer um de seus ramos uma pessoa pode colher uma folha para a cura das
nações. Que ninguém negue o que para outra pessoa é verdade, pois ela pode ver
uma verdade que outros não conseguem ver; mas que ninguém tente impor sua própria
visão sobre outros, pois pode cegá-los ao forçá-los a ver o que não está dentro
de seu campo de visão. Só existe um Sol, e cada energia em nossa Terra não
passa de alguma forma de força solar; e assim como um só Sol alimenta toda a
Terra, um só Eu brilha em todos os corações. Só existe uma blasfêmia - a
negação de Deus no homem. Só existe uma heresia - a heresia da separatividade,
que diz: "Sou outro além de ti, nós não somos um só". Para a redenção
do mundo nós precisamos mais do que altruísmo, por mais nobre que ele seja.
Precisamos aprender a anulação do eu individual, o sacrifício, a auto-entrega,
mas não estaremos firmes no Um antes de podermos dizer "Não há outros; é o
Eu em tudo". Quando todos os homens disserem isso o mundo conhecerá sua
Era Dourada: quando um homem diz isso através de sua vida, sua presença é uma
bênção onde quer que ele vá. Somos irmãos, mas mais que irmãos. Os irmãos têm
apenas um mesmo pai; nós temos um Eu comum. Em tudo à nossa volta vejamos a
Glória do Eu, e lembremos que negar o Eu no mais baixo é negá-lo em nós mesmos
e em Deus.
3.
Diante disto, aumentemos nosso conhecimento, e aprendamos que o olho deve estar
são para iluminar o corpo, com atitude de bonade e solidariedade, com amor e
sabedoria deicados ao semelhante, com certeza, faremos o mundo ser melhor e
justo, com a graça qu recebemos do alto, e
deixa-se a todos e à todas um cordial abraço.
Criciúma
(SC), 1º de março de 2.023.
Gilson
Gomes
Advogado
e Filosofia.
OAB/SC
nº 003978.
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