A FRATERNIDADE COMO IDEAL E DOUTRIAN BÁSICA,
É PRINCÍPIO FUNDAMENTAL COMO BASE DO TEO=Divino – DEUS; SOFIA=AMIGO DA SABEDORIA, É MANDAMENTO DOS FILHOS DE DEUS
E DOS SEGUIDORES DA PREGAÇÃO DE JESUS
CRISTO EM: AMAR O PRÓXIMO COMO A SI MESMO. TAMBÉM, OS QUE SÃO DEVOTOS E
ADMIRADORES DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS E SANTA CLARA, TODA SUA EXISTÊNCIA, E
EXEMPLO É PRATICAREM A FRATERNIDADE HUMANA, AMOR À NATUREZA, E APOIO
INCONDICIONAL AOS POBRES CARENTES. EIS AÍ À BELA QUESTÃO, O QUE FAREMOS COM OS
SETE PRINCÍPIOS DO HOMEM?
1.
Com
certeza, cada que nasce com o sol de luz, e depões quando o sol se põem ao
vir o anoitecer, fato natural aqui no
hemisfério sul. É razoável que às 18h00 de cada dia, àqueles que buscam
humildemente à unidade com à “Santa Alma de Ouro” (cf. Platão, A República,
Livro III, ppp. 109-110, §415 a-e, Editora Martin Claret, 18ª Reimpressão
2.016) do Universo –À Mãe Maria, que em sua dignidade nos deixa o Magnificat, a
contar da anunciação, seu formidável “Sim”,
sua viaista à Isabel, em que proclma: “42. Bendita és tu entre as mulheres, e bendito
é o fruto de teu ventre”, e depois em sua nobre dignidade, e louvor fez sua
notável oração: “46. E Maria disse: Minha alma glorifica o Senhor, 47. Meu espírito
exulta de alegria em Deus, meu Salvador...” (cf. São Lucas 1:28-55), eis então,
a razão, porque se faz à bela e digna
Oração do Anjelus.
2.
Logo
com à virtude da humildade está o meio eficaz como custódia da boa ação,
que dá dignidade ao ser humano, por ter conhecimento de que, sua missão neste
ciclo terrestre está em obter “justiça e santidade”, como está enunciado e
equação necessária à senda do reino em (Efésios 4:24), por isso ensina São
Paulo: “É raro que os sábios segundo o
próprio juízo tolerem humildemente ser dirigidos por outros” (cf. Roanos 11:25).
Não há dúvida, que em alguma hora da existência o imprevisto acontece, sem que
possua remédio heroico para a aocorrência, e então se percebe como é de fato o
acontecido, e qual é a questão: “E
quando isso acontecer, pensa que pode retornar outravez a luz, para cautela
tua, mas para glória minha, por um momento te subtraí” (cf, Jó 17:12).
(cf. De Kempis, Tomás, IMITAÇÃO DE CRISTO, pp. 222-223, Editora Paulus, 1ª
edição 2.019, 1ª Reimpressão 2.021) Pois está em Jó a seguir:
“12.
Fazem da noite, dia, a luz da
manhã é para mim com trevas.” (Jó 17:12)
3.
Não há
dúvida, que sempre devemos estar comprometidos como idela de unidade na fé –
atestado da verdade – com eficiência, aptdão, boa vontade para krradiar por
meio da Fraternidade humana, elos de afeição, de amor ao próximo, a fim de não
transformarmos nosso dia em trevas – treva,
aqui significa mau comportamento, exprimido pela mé-fe (Art. 5º, do NCPC), e
como nos adverte o bondoso rei jò (é bom ter ciência que Jó é rei de uma nação,
pois é ele, quem socorre Ló, da tragédia e destruição de Sodoma e Gomorra).
Contudo, nosso fim, é estar pela senda do reino de Deus, pela prudência e a lei
do amor ao próximo (cf. São Marcos 12:31), e obetermos à glória com o UNO, e no
bem estar da justiça e santidade.
4.
Logo
fizemos com amor e carinho esta exposição, somente para darmos
justificação à matéria disponibilizada
pelos estudiosos da espiritualidade humana pelos mmbros da Teosofia espalhados
pelo Brasil, e no Planeta, que nos fornece com boa vontade estaa exemplar
Matéria OS SETE PRINCÍPIOS DO HOMEM, da autora Annie Besant, Irlandeza, e
formada em Londres, e amiga pessoal, importante na independência da Índia, por
conviver muito tempo com o Mahatma Gandhi e Krishnamurti, e a tradução das
obras em língua Portuguesa, pode ter sido feita pelo grande Poeta Fernando
Pessoa, por ser um conhecedor da língua Inglesa
no período que à obra enra em Portugal, e por efeito, no Brasil. É bom
saber que Fernando Pessoa residiu bom tempo em África do Sul, pois ele saiu de
Portugal por causa de Salazar e Marcelo Caetano, regime que foi derrotado pela
Revolução dos Cravos de 1.974. Logo o texto de Annie Besant é bom, como também
de instrução, e de conhecimento, para quem busca o bem geral e comum, pois o
Grupo loval, agradeve, e espera que seja encontrado justeza, e conhecimento,
para realizar sempre à boa ação no caminho do reino de Deus.
Nosso Abaço cordial, sempre na graça de Deus
e com êxito.
Criciúma (SC), 27 de abril de 2.023.
Gilson
Gomes
Advogado e Filosofia.
OAB nº SC 003978.
E que à obra a seguir proporcione o bem
desejado a todos:
OS SETE PRINCÍPIOS
DO HOMEM
*Annie Besant
Pesquisadores atraídos para Teosofia por sua
doutrina central de fraternidade entre os homens, e pelas esperanças que ela
traz de conhecimento mais amplo e de crescimento espiritual, podem ser
repelidos quando fazem sua primeira tentativa de entrar mais em contato com
ela, por causa dos - para eles - nomes estranhos e embaralhantes que fluem
facilmente dos lábios de Teosofistas reunidos em conferência.
Eles ouvem um emaranhado de Âtmâ-Buddhi,
Kâma-Manas, Tríade, Devachan, e sabe-se lá o que mais, e sentem de imediato que
para eles a Teosofia é um estudo por demais abstruso. Mas poderiam ter-se
tornado Teosofistas muito bons, não tivesse seu entusiasmo inicial sido
esfriado com a ducha dos termos Sânscritos. Neste Manual o confuso emaranhado
será tratado com mais moderação, e só poucos nomes Sânscritos serão colocados
diante do pesquisador.
De fato, o uso destes termos se tornou geral
entre os Teosofistas porque a língua portuguesa não tem equivalentes para eles,
e uma frase longa e obscura tem de ser usada em seu lugar para a idéia ser
transmitida integralmente. O problema inicial de se aprender estes nomes tem
sido preferido do que o problema contínuo de usar-se frases descritivas
aproximativas - "Kama", por exemplo, sendo mais curto e mais preciso
do que "parte passional e emocional de nossa natureza".
De acordo com o ensino Teosófico o homem é um
ser sétuplo, ou, na terminologia usual, tem uma constituição setenária.
Colocando de outra forma, a natureza do homem tem sete aspectos, pode ser
estudada de sete diferentes pontos de vista, é composta de sete princípios. O
modo melhor e mais claro de todos pelo qual imaginar o homem é considerá-lo
como uno, o Espírito ou Eu [Self, no original - NT] Verdadeiro; este pertence à
mais alta região do universo, e é universal, é o mesmo para todos; é um raio de
Deus, uma centelha do fogo divino. Isto vai se tornar um indivíduo, refletindo
a perfeição divina, um filho que cresce à semelhança de seu pai.
Para este propósito o Espírito, ou Eu
Verdadeiro, veste-se com roupa após roupa, cada uma pertencendo a uma região
definida do universo, e capacitando o Eu para entrar em contato com aquela
região, ganhar conhecimento dela, e trabalhar nela. Assim ele ganha
experiência, e todas as suas potencialidades latentes são gradualmente
transformadas em poderes ativos. Estas roupagens, ou invólucros, são distinguíveis
umas das outras tanto teórica como praticamente.
Se um homem for observado pela clarividência,
cada uma é distinguível ao olhar, e são separáveis entre si durante a vida
física ou na morte, de acordo com a natureza de cada invólucro particular.
Quaisquer palavras que possam ser usadas, o fato permanece o mesmo - de que ele
é essencialmente sétuplo, um ser em evolução, parte de cuja natureza já se
manifestou, parte permanecendo latente no presente, até onde concerne à vasta
maioria da humanidade. A consciência do homem é capaz de funcionar através de
tantos destes aspectos quantos tiverem nele já evoluído até a atividade.
Esta evolução, durante o presente ciclo do
desenvolvimento humano, tem lugar em cinco dentre sete dos planos da natureza.
Os dois planos superiores - o sexto e o sétimo - exceto nos casos mais
excepcionais, não serão atingidos por homens desta humanidade neste ciclo
atual, e podem ser portanto deixados de lado para nosso objetivo presente.
Entretanto, como tem surgido alguma confusão
sobre os sete planos por causa da diferença de nomenclatura, são dados dois
diagramas no final deste tratado, mostrando os sete planos como eles existem em
nossa divisão do universo, em correspondência com os planos mais vastos do
universo como um todo, e também a subdivisão dos cinco em sete, como são
representados em parte de nossa literatura.
Um "plano" é meramente uma
condição, um estágio, um estado; de modo que poderíamos descrever o homem como
disposto pela sua natureza, quando esta natureza está plenamente desenvolvida,
para existir conscientemente em sete diferentes condições, ou sete diferentes
estágios, em sete diferentes estados; ou tecnicamente, em sete diferentes
planos de existência.
Tomando um exemplo facilmente verificável: um
homem pode ser consciente no plano físico, isto é, em seu corpo físico,
sentindo fome e sede, e a dor de um golpe ou corte. Mas deixemos o homem ser um
soldado no coração da batalha, e sua consciência estará centrada em suas
paixões e emoções, e ele pode sofrer um ferimento sem perceber, sua consciência
estando fora do plano físico e agindo no plano das paixões e emoções: quando
passa a excitação, a consciência voltará ao físico, e ele "sentirá" a
dor de seu ferimento.
Deixemos o homem ser um filósofo, e enquanto
ele ponderar sobre algum intrincado problema ele perderá toda a consciência das
necessidades de seu corpo, das emoções, do amor ou do ódio; sua consciência
passará ao plano do intelecto, estará "abstraído", isto é, afastado
das considerações pertinentes à sua vida corporal, e fixo no plano do
pensamento.
Assim um homem pode viver nestes diversos
planos, nestas diversas condições, sendo uma ou outra parte de sua natureza
posta em atividade em cada momento dado; e um entendimento do que é o homem, de
sua natureza, seus poderes, suas possibilidades, será alcançado mais facilmente
e assimilado de maneira mais útil se ele for estudado ao longo destas linhas
claramente definidas, do que se ele for deixado sem análise, um mero feixe
confuso de qualidades e estados.
Também tem sido considerado conveniente, a
respeito da vida mortal e imortal do homem, reunir estes sete princípios em
dois grupos - um contendo os três princípios superiores e portanto chamado de
Tríade, o outro contendo os quatro inferiores, destarte chamado Quaternário. A
Tríade é a parte imortal da natureza humana, o "espírito" e alma da
terminologia Cristã; o Quaternário é a parte mortal, o "corpo", do
Cristianismo.
Esta divisão em corpo, alma e espírito é
usada por São Paulo, e é aceita em toda a cuidadosa filosofia Cristã, embora
geralmente ignorada pela massa do povo Cristão. No linguajar comum, alma e
corpo constituem o homem, e as palavras espírito e alma são usadas
intercambiavelmente, com muita confusão de pensamento como resultado.
Esta vagueza é fatal para qualquer visão
clara sobre a constituição do homem, e o Teósofo pode bem apelar para o
filósofo Cristão contra o Cristão casual não-pensador se for acusado de estar
fazendo distinções difíceis de entender. Nenhuma filosofia digna do nome pode
ser apresentada mesmo em sua feição mais elementar sem fazer alguma demanda à
inteligência e à atenção do eventual aprendiz, e cuidado no uso dos termos é
uma condição para todo o conhecimento.
PRINCÍPIO I
O Corpo Físico Denso
O corpo físico denso do homem é chamado o
primeiro de seus sete princípios, já que certamente é o mais óbvio. Construído
de moléculas materiais, no sentido geralmente aceito do termo - com seus cinco
órgãos sensoriais - os cinco sentidos - seus órgãos de locomoção, seu cérebro e
sistema nervoso, seu aparato para desempenhar as várias funções necessárias
para a continuidade de sua existência, há pouco a ser dito sobre este corpo
físico em um esboço tão breve como este sobre a constituição do homem.
A ciência ocidental está quase pronta para
aceitar a visão Teosófica de que o organismo humano consiste de inumeráveis
"vidas", que constituem as células. H.P.Blavatsky diz sobre isto:
"A ciência ainda não foi longe o bastante para concordar com a doutrina
Oculta que nossos corpos, assim como os dos animais, plantas e pedras, são
também constituídos de tais seres (bactérias, etc): os quais, com exceção das
espécies maiores, nenhum microscópio pode detectar..."
Sendo os constituintes físicos e químicos
idênticos em todos os seres, a ciência química pode bem dizer que não existe
diferença alguma entre a matéria que compõe o touro e a que forma o homem. Mas
a doutrina Oculta é muito mais explícita: Não só os componentes químicos são os
mesmos, mas as mesmas vidas infinitesimais invisíveis compõe os átomos dos
corpos da montanha e da margarida, do homem e da formiga, do elefante e da árvore
que o protege do sol. Cada partícula - seja chamada orgânica ou inorgânica - é
uma vida.
Cada átomo e molécula no universo dá tanto a
vida como a morte a estas formas (Doutrina Secreta, vol. I, p. 281 [as páginas
de referência dizem respeito à edição inglesa - NT]). Os micróbios [do grego,
literalmente: pequenas vidas - NT] assim "perfazem o corpo material e suas
células", sob a energia construtiva da vitalidade - uma frase que será
explicada quando chegarmos a tratar da "vida", como o Terceiro Princípio,
e com estes micróbios como parte dela. Quando a "vida" já não é
suprida, os micróbios "são deixados agir livremente como agentes
destruidores", e eles decompõem e desintegram as células que construíram,
e então o corpo de desfaz.
A consciência puramente física é a
consciência das células e das moléculas. A ação seletiva das células, extraindo
do sangue o que precisam, rejeitando o que não precisam, é um exemplo de sua
autoconsciência. O processo continua sem a ajuda de nossa consciência ou
volição. Assim o que é pelos fisiologistas chamado de memória inconsciente é a
memória da consciência física, na verdade inconsciente para nós, até que
tenhamos aprendido a transferir nossa consciência cerebral para lá.
O que sentimos não é o que as células sentem.
A dor de um ferimento é sentida pela consciência cerebral, agindo, como
dissemos, no plano físico; mas a consciência da molécula, assim como a do
agregado de moléculas que chamamos células, leva-as celeremente a reparar os
tecidos danificados - ações de que o cérebro é inconsciente - e sua memória as
faz repetir a mesma ação repetidas vezes, mesmo quando já se tornou
desnecessária.
Daí as cicatrizes nos cortes, quelóides,
calosidades, etc. O estudante pode encontra muitos detalhes sobre este assunto
em tratados de fisiologia. A morte do corpo físico denso ocorre quando a
retirada da energia vital controladora deixa os micróbios seguirem seu próprio
rumo, e as muitas vidas, já não mais coordenadas, separam-se e fragmentam as
partículas das células do "homem de barro", e o que chamamos
decomposição se apresenta.
O corpo se torna um torvelinho de vidas sem
controle, sem regulação, e sua forma, que resultava de sua correlação, é
destruída pela exuberante energia das suas vidas individuais. A morte é só um
aspecto da vida, e a destruição de uma forma material é apenas um prelúdio para
a construção de outra.
PRINCÍPIO II
O Duplo Etérico
Linga-Sharira, corpo astral, corpo etérico,
corpo fluídico, duplo, fantasma, doppelganger, homem astral - estes são alguns
dos muitos nomes que têm sido dados ao segundo princípio na constituição do
homem. O melhor nome é Duplo Etérico, porque este termo designa somente o
segundo princípio, sugerindo sua constituição e aparência: enquanto que os
outros nomes têm sido usados algo genericamente para descrever corpos formados
de matéria um pouco mais sutil do que a que afeta nossos sentidos físicos, sem
considerarmos a questão de se outros princípios estão ou não envolvidos em sua
construção. Doravante usarei apenas este nome.
O duplo etérico é formado de matéria mais
rarefeita ou mais sutil do que a que é perceptível pelos nossos cinco sentidos,
mas ainda é matéria pertencendo ao plano físico, ao qual seu funcionamento é
restrito. É o estado da matéria que está logo depois de nossos "sólido,
líquido e gasoso", que formam as porções densas do plano físico.
Este duplo etérico é a duplicata ou
contraparte exata de nosso corpo físico denso ao qual pertence, e é separável
dele, embora incapaz de ir muito longe. Em seres humanos normalmente saudáveis
a separação é difícil, mas em pessoas conhecidas como médiuns físicos ou
materializadores, o duplo etérico desliza para fora sem qualquer grande
esforço. Quando separado do corpo denso ele é visível para o clarividente como
uma réplica exata, unida a ele por um fio delgado.
Tão estreita é a união física entre os dois
que um ferimento infligido ao duplo etérico aparecerá como uma lesão no corpo
denso, um fato conhecido sob o nome de repercussão. A. d'Assier, em seu
trabalho bem conhecido, traduzido para o inglês pelo Coronel Olcott, o
Presidente-Fundador da Sociedade Teosófica, sob o título Posthumous Humanity -
apresenta vários casos (vide pp. 51-57) nos quais a repercussão teve lugar.
A separação do duplo etérico do corpo denso
geralmente é acompanhada de um considerável decréscimo na vitalidade do último,
ficando o duplo mais vitalizado à medida que a energia no corpo denso diminui.
Diz o Cel. Olcott (p. 63):
"Quando o duplo etérico é projetado por
um perito treinado, até o corpo parece entorpecido, e a mente fica em um estado
de estupor [brown study, no original - NT]; os olhos não têm expressão de vida,
o coração e os pulmões atuam fracamente, e muitas vezes a temperatura cai
bastante. É muito perigoso fazer qualquer ruído ou pancada repentinos na sala,
em tais circunstâncias; pois o duplo, sendo por reação instantânea trazido de
volta ao corpo, faz o coração contrair-se convulsivamente, e a morte pode mesmo
ser causada".
No caso de Emilie Sagée (citado nas pp.
62-65), percebeu-se que a menina parecia pálida e exausta quando o duplo era
visível: "quanto mais nítido o duplo e mais material a aparência, a pessoa
realmente material estava efetivamente enfraquecida, sofrendo e lânguida;
quando ao contrário, a aparência do duplo enfraquecia, a paciente era vista
recuperar a força".
Esta fenômeno é perfeitamente compreensível
para o estudante Teosófico, que sabe que o duplo etérico é o veículo do
princípio vital, ou vitalidade, no corpo físico, e que sua saída parcial deve
portanto diminuir a energia que com este princípio atua nas moléculas mais
densas.
Os clarividentes, como a Vidente de Prévorst,
dizem que podem ver o braço ou perna etéricos ligados a um corpo de onde o
membro denso foi amputado, e d'Assier assinala a este respeito: "quando eu
estava absorvido nos estudos fisiológicos, freqüentemente era atraído por um
fato singular. Às vezes acontece de uma pessoa que perdeu um braço ou perna
experimentarem certas sensações nas extremidades dos dedos. Os fisiologistas
explicam esta anomalia postulando haver no paciente uma inversão de
sensibilidade ou de lembrança, que os faz localizar na mão ou no pé a sensação
com que somente o nervo do coto é afetado... Confesso que estas explicações me
pareciam artificiosas e jamais me satisfizeram. Quando estudei o problema do
duplo do homem, a questão das amputações recorreu à minha mente, e me perguntei
se não seria mais simples e lógico atribuir a anomalia de que falei à duplicata
do corpo humano, que por sua natureza fluida pode escapar à amputação"
(loc. cit., pp. 103-104).
O duplo etérico desempenha um grande papel
nos fenômenos espiritas. Novamente aqui o clarividente pode nos ajudar. Um
clarividente pode ver o duplo etérico escapando pelo lado esquerdo do médium, e
é isso o que aparece amiúde como um "espírito materializado",
facilmente moldado em várias formas pelas correntes de pensamento dos
presentes, e ganhando força e vitalidade à medida que o médium mergulha em
transe mais profundo. A condessa Wachtmeister, que é clarividente, diz que tem
visto o mesmo "espírito" reconhecido como o de um parente próximo ou
amigo por diferentes assistentes, cada qual vendo-o de acordo com suas
expectativas, enquanto que aos seus olhos era o mero duplo do médium.
Então de novo H.P.Blavatsky me disse que
quando estava na fazenda de Eddy, observando a notável série de fenômenos lá
produzidos, ela deliberadamente moldou o "espírito" que aparecia à
semelhança de pessoas conhecidas dela e de ninguém mais presente, e os outros
viram as formas que ela produziu pelo poder de sua própria vontade, moldando a
plástica matéria do duplo do médium.
Muitos dos movimentos de objetos que ocorrem
em tais sessões, e em outras ocasiões, sem contato visível, são devidos à ação
do duplo etérico, e o estudante pode aprender como produzir tais fenômenos à
vontade. São bastante comuns: a mera projeção da mão etérica não é mais
importante do que a projeção da contraparte densa, e nem mais ou menos
miraculosa. Algumas pessoas produzem estes fenômenos inconscientemente, simples
derrubamento fortuito de objetos, produção de ruídos, e assim por diante: eles
não têm controle sobre seus duplos etéricos, e eles apenas pairam em sua
vizinhança próxima, como um bebê tentando caminhar.
Pois o duplo etérico, como o corpo denso,
possui somente uma consciência difusa pertencente às suas partes, e não dispõe
de nenhuma mentalidade. Tampouco serve como veículo de mentalidade, quando
desvinculado de sua contraparte densa.
Isto nos conduz a um ponto interessante. Os
centros da sensação estão localizados no quarto princípio, que pode ser dito
formar uma ponte entre os órgãos físicos e as percepções mentais; impressões do
universo físico agem sobre as moléculas materiais do corpo físico denso,
colocando em vibração as células constituintes dos órgãos de sensação, ou
nossos "sentidos".
Estas vibrações, por sua vez, colocam em
movimento as moléculas materiais mais rarefeitas do duplo etérico, nos órgãos
sensoriais correspondentes de sua matéria mais fina. Destes, as vibrações
passam para o corpo astral, ou quarto princípio, logo a ser considerado, onde
estão os centros de sensação correspondentes.
Daí estas sensações são propagadas à ainda
mais rarefeita matéria do plano mental inferior, de onde são refletidas de
volta até, chegando às moléculas materiais dos hemisférios cerebrais, se
tornarem nossa "consciência cerebral". Esta sucessão
inter-relacionada e inconsciente é necessária para a atuação normal da
consciência como a conhecemos.
No sono ou no transe, natural ou induzido, os
dois primeiros e o último estágios geralmente são omitidos, e as impressões
iniciam no e voltam ao plano astral, e assim não deixam qualquer traço na
memória cerebral; mas o psíquico natural ou treinado, o clarividente que não
precisa de transe para o exercício de seus poderes, é capaz de transferir sua
consciência do plano físico para o astral sem perda de continuidade, e pode
impressionar a memória cerebral com o conhecimento obtido no plano astral,
retendo-o assim para uso.
A morte significa para o duplo etérico
exatamente o mesmo que para o corpo físico denso: a ruptura de suas partes
constituintes, a dissipação de suas moléculas. O veículo da vitalidade, que
anima o organismo corpóreo como um todo, escapa do corpo quando chega a hora da
morte, e é visto pelo clarividente como uma luz violeta, ou uma forma violeta,
pairando sobre a pessoa moribunda, ainda ligado ao corpo físico pela fina linha
de que falamos antes. Quando esta linha se rompe, exala-se o último alento, e
os presentes murmuram: "morreu".
O duplo etérico, sendo de matéria física,
permanece nas redondezas do cadáver, e é o "espectro", ou
"aparição", ou "fantasma", algumas vezes visto no momento
da morte e logo após por pessoas perto do local onde a morte ocorreu. Ele desintegra-se
lentamente pari passu com sua contraparte densa, e seus restos são vistos por
sensitivos em cemitérios e campos santos como luzes violeta pairando sobre as
tumbas.
Eis uma das razões que tornam a cremação
preferível ao enterro como modo de descarte do envelope físico do homem; o fogo
dissipa em poucas horas as moléculas que doutra forma ficariam livres somente
no lento curso da putrefação gradual, e assim devolve rapidamente aos seus
próprios planos os materiais densos e etéricos, prontos para uso mais uma vez
na construção de novas formas.
PRINCÍPIO III
Prâna, a Vida
Todos os universos, todos os mundos, todos os
homens, todos os brutos, todos os vegetais, todos os minerais, todas as
moléculas e átomos, tudo o que existe, está mergulhado em um grande oceano de
vida, vida eterna, vida infinita, vida incapaz de aumento ou decréscimo. O
universo é apenas vida em manifestação, vida feita objetiva, vida diferenciada.
Mas cada organismo, seja minúsculo como uma
molécula ou vasto como um universo, pode ser pensado como se apropriando para
si mesmo um pouco da vida, como encarnando em si mesmo como sua própria vida
algo desta vida universal.
Imagine uma esponja viva, se expandindo na
água que a banha, a cerca, a penetra; existe a água, ainda o oceano, circulando
em cada passagem, enchendo cada poro; mas podemos pensar no oceano fora da
esponja, ou na parte do oceano apropriado pela esponja, distinguindo-os em
pensamento se quisermos fazer asserções sobre cada um distintamente.
Assim cada organismo é uma esponja
banhando-se no oceano da vida universal, e contendo dentro de si um pouco
daquele oceano como seu próprio alento vital.
Na Teosofia nós distinguimos esta vida
capturada sob o nome de Prâna, alento, e chamamo-lo de o terceiro princípio na
constituição do homem. Para falarmos com mais precisão, o "alento da
vida" - o que os hebreus denominavam Nephesh, ou o alento da vida soprado
nas narinas de Adão - não é só Prâna, mas Prâna e o terceiro princípio
conjuntos. São estes dois juntos que fazem a "centelha vital" (Dout.
Sec., vol. I, p. 262), e são o "alento de vida no homem, assim como na
besta ou no inseto, ou na vida física, material" (ibid., nota da p. 263).
É o "alento da vida animal no homem - o
sopro da vida instintiva no animal" (ibid., diagrama na p. 262). Mas neste
momento estamos interessados somente no Prâna, na vitalidade como o princípio
animante em todos os animais e corpos humanos. Desta vida é veículo o duplo
etérico, agindo, a bem dizer, como meio de comunicação, como ponte, entre Prâna
e o corpo denso.
O Prâna é explicado na Doutrina Secreta como
tendo por sua subdivisão mais baixa os micróbios da ciência; estas são as
"vidas invisíveis" que constróem as células físicas (vide ant., pp.
8-9); estas são as "incontáveis miríades de vidas" que constróem os
"tabernáculos de argila", os corpos físicos (Dout. Sec., vol. I, p.
245). "A ciência, vagamente percebendo a verdade, pode encontrar bactérias
e outros seres infinitesimais no corpo humano, e ver nelas somente, visitantes
ocasionais e anormais a quem as doenças são atribuídas.
"O ocultismo - que discerne uma vida em
cada átomo e molécula, seja em um mineral ou no corpo humano, no ar, fogo ou
água - afirma que todo nosso corpo é feito de tais vidas; em relação a elas as
menores bactérias dos microscópios são, como comparação, como um elefante em
relação ao menor dos infusórios" (ibid., p. 245). As "vidas
ígneas" são as controladoras e dirigentes destes micróbios, destas vidas
invisíveis, e "indiretamente" constróem, isto é, constróem
controlando e dirigindo os micróbios, os construtores imediatos, suprindo-os
com o que é necessário, agindo como a vida destas vidas; as "vidas
ígneas", a síntese, a essência do Prâna, são a "energia construtiva
vital" que possibilita aos micróbios construírem as células físicas.
Um dos comentários arcaicos resume o assunto
em frases sucintas e luminosas: "Os mundos, o profano, são feitos dos
elementos conhecidos. Na concepção de um Arhat, estes mesmos elementos são
coletivamente uma vida divina; distributivamente, no plano das manifestações,
são os inumeráveis e incontáveis crores [um crore = dez milhões] - de vidas.
"Só o fogo é UM, no plano da Realidade
Única; no da manifestação, por isso ilusório, de existência, suas partículas
são vidas ígneas que vivem e têm seu ser às expensas de cada outra vida que
consomem. Por isso eles são chamados Os Devoradores... Toda coisa visível neste
universo foi feita de tais vidas, desde o homem primordial consciente e divino,
até os agentes inconscientes que constróem a matéria... Da Vida Única, informe
e incriada, procede o universo de vidas (Dout. Sec., vol. I, p. 269).
Assim como neste universo, também no homem, e
em todas as vidas incontáveis, toda esta vitalidade construtiva, tudo isso é
resumido pelo Teosofista como Prâna.
PRINCÍPIO IV
O Corpo de Desejo
Estudando nosso homem atingimos agora o
princípio algumas vezes descrito como a alma animal, no linguajar Teosófico
Kâma Rûpa, ou o corpo de desejo. Ele pertence, em constituição, ao segundo plano,
o astral, e nele atua. Ele inclui todo o corpo de apetites, paixões, emoções e
desejos, que se juntam, em nossa classificação psicológica ocidental, sob o
nome de instintos, sensações, sentimentos e emoções, e são tratados como uma
subdivisão da mente.
Na psicologia ocidental a mente é dividida -
pela escola moderna - em três regiões principais: sentimentos, vontade,
intelecto. Os sentimentos são divididos de novo em sensações e emoções, e estas
são divididas e subdivididas em numerosas classes. Kâma, ou desejo, inclui todo
o grupo de "sentimentos", e poderia ser descrito como nossa natureza
passional e emocional.
Todas as necessidades animais, como a fome, a
sede, o desejo sexual, reúnem-se aqui; todas as paixões, como o amor (em seu
sentido inferior), o ódio, a inveja, o ciúme. É o desejo por experiência
senciente, por experiência de alegrias materiais - "a luxúria da carne, a
luxúria dos olhos, o orgulho da vida".
Este princípio é o mais material em nossa
natureza, é o único que nos ata pesadamente à vida terrena. "Não é matéria
constituída molecularmente, pelo menos não como o corpo humano, o Sthûla
Shârira, isto é, o mais grosseiro de todos nossos 'princípios', mas na verdade
é o princípio médio, o verdadeiro centro animal; daí ser nosso corpo apenas sua
concha, o fator e meio irresponsáveis através dos quais a besta em nós tem toda
sua vida" (Dout. Sec., vol. I, pp. 280-81).
Unido à parte inferior de Manas, a mente,
como Kâma-Manas, se torna a inteligência cerebral humana normal, e este seu
aspecto será considerado brevemente. Tomado em si mesmo, constitui o bruto em
nós, o "macaco e o tigre" de Tennyson, a força que mais provoca nossa
ligação à terra e sufoca em nós todas as mais altas aspirações pelas ilusões
dos sentidos.
Kâma unido a Prâna é, como vimos, o
"sopro da vida", o princípio vital senciente difundido em cada
partícula do corpo. É, portanto, a séde da sensação, é aquilo que possibilita
aos órgãos de sensação funcionarem. Já assinalamos que os órgãos físicos dos
sentidos, os instrumentos corpóreos que entram em contato imediato com o mundo
externo, estão diretamente relacionados aos órgãos de sensação no duplo etérico
(vide ant., p. 14).
Mas estes órgãos seriam incapazes de
funcionar se Prâna não os fizesse vibrar em atividade, e suas vibrações
permaneceriam apenas vibrações, movimento no plano material do corpo físico, se
Kâma, o princípio de sensação, não traduzisse a vibração em sentimento. Na
verdade, o sentimento é a consciência no plano Kâmico, e quando um homem está
sob o domínio de uma sensação ou uma paixão, o Teosofista diz que ele está no
plano Kâmico, significando com isso que sua consciência está funcionando
naquele plano.
Por exemplo, uma árvore pode refletir os
raios da luz, isto é, vibrações etéricas, e estas vibrações atingindo o olho
externo estabelecerão vibrações nas células nervosas físicas; estas serão
propagadas como vibrações aos centros físico e astral, mas não haverá visão da
árvore até que a séde da sensação seja alcançada, e Kâma nos possibilite
perceber.
A matéria do plano astral - incluindo aquela
chamada de essência elemental - é o material de que é composto o corpo de
desejo, e são as propriedades peculiares desta matéria que a habilitam para
servir como o invólucro no qual o Eu pode ganhar experiência da sensação (Falar
da constituição da essência elemental nos levaria longe demais para um tratado
básico).
O corpo de desejo, ou corpo astral, como é
freqüentemente chamado, tem a forma de uma mera massa nevoenta durante os
primeiros estágios de evolução, e é incapaz de servir como um veículo
independente de consciência. Durante o sono profundo ele escapa do corpo
físico, mas permanece perto dele, e a mente em seu interior está quase tão
desperta quanto o corpo. Contudo, ele está sujeito a ser afetado por forças do
plano astral similares à sua constituição, o que dá origem a sonhos de um tipo
sensorial.
Em um homem de desenvolvimento intelectual
mediano o corpo de desejo já se tornou mais altamente organizado, e quando
separado do corpo físico é visto assemelhando-se à sua forma e características;
mesmo então, entretanto, não é consciente de seu entorno no plano astral, mas
encapsula a mente como uma concha, dentro da qual a mente pode funcionar
ativamente, embora ainda não capaz de usá-lo como um veículo independente de
consciência.
Só no homem altamente desenvolvido o corpo de
desejo se torna inteiramente organizado e vitalizado, um veículo de consciência
no plano astral tanto quanto o corpo físico o é no plano físico.
Após a morte, a parte superior do homem
permanece por um tempo no corpo de desejo, e a duração de sua estadia depende
da comparativamente grosseria ou delicadeza de seus constituintes. Quando o
homem escapa dele, ele ainda persiste por algum tempo como uma
"concha" e quando a entidade defunta é de um tipo baixo, e durante a
vida terrena possuía uma mentalidade restrita à natureza passional, alguns de
seus restos se fundem com a concha.
Ela então possui uma consciência de ordem
muito inferior, tem astúcia bruta, não possui consciência - uma entidade
totalmente deplorável, freqüentemente descrita como um "fantasma".
Paira a esmo, atraída a todos os lugares em que os desejos animais são
encorajados e satisfeitos, e é colhida nas correntes daqueles cujas paixões
animais são fortes e irrefreadas.
Médiuns de um tipo inferior inevitavelmente
atraem estes visitantes eminentemente indesejáveis, cuja vitalidade decadente é
reforçada em suas salas de sessão, que apanham reflexos astrais, e assumem o
papel de "espíritos desencarnados" de uma ordem inferior. E isso não
é tudo; se em tal sessão houver presente algum homem ou mulher de
desenvolvimento igualmente baixo, o fantasma será atraído para aquela pessoa, e
pode ligar-se a ele ou ela, e assim pode estabelecer correntes entre o corpo de
desejo da pessoa viva e o corpo de desejo moribundo da pessoa morta, gerando
resultados do tipo mais deplorável.
A persistência maior ou menor do corpo de
desejo como uma concha ou fantasma depende do maior ou menor desenvolvimento da
natureza animal ou passional na personalidade em extinção. Se durante a vida
terrena a natureza animal foi alimentada e permitiu-se-lhe que corresse livre,
se as partes intelectual e espiritual do homem foram negligenciadas ou
sufocadas, então, como as correntes foram dispostas fortemente na direção da
paixão, o corpo de desejo persistirá por um longo período depois de o corpo da
pessoa morrer.
Ou ainda, se a vida terrena foi cortada
subitamente por acidente ou por suicídio, o elo entre Kâma e Prâna não será
facilmente rompido, e o corpo de desejo estará fortemente vivificado. Se, por
outro lado, o desejo foi conquistado e governado durante a vida terrena, se foi
purificado e treinado na subserviência da natureza humana superior, então
haverá apenas pouco para energizar o corpo de desejo e ele rapidamente se
desintegrará e dissolverá.
Permanece um outro fato, terrível em suas
possibilidades, que pode afetar o quarto princípio, mas não pode ser entendido
claramente até que o quinto princípio tiver sido estudado.
O QUATERNÁRIO
Ou os Quatro Princípios Inferiores
(Diagrama do Quaternário; transitório e
mortal; vide Dout. Sec., vol. I, p. 262. O duplo etérico aqui é chamado Linga
Sharira, um nome agora descartado em conseqüência da confusão causada pelo
emprego de um termo filosófico hindu bem conhecido de um modo inteiramente
novo. Antes de sua partida H.P.B. instou seus pupilos a reformarem a
terminologia, que tem sido reunida por demais descuidadamente, e estamos
tentando cumprir seu desejo).
Estudamos assim o homem quanto à sua natureza
inferior, e atingimos o ponto em sua senda evolutiva em que ele é acompanhado
pelo bruto. O quaternário, considerado isoladamente, antes de ser afetado pelo
contato com a mente, é meramente um animal inferior; ele espera a chegada da
mente para tornar-se homem.
A Teosofia ensina que através de idades
passadas o homem foi construído só lentamente, etapa por etapa, princípio por
princípio, até que constituiu-se como um quaternário, vigiado pelo Espírito mas
não em contato com ele, à espera daquela mente que sozinha poderia habilitá-lo
a progredir mais, e entrar em união consciente com o Espírito, cumprindo assim
o verdadeiro objetivo de sua existência.
Esta evolução eônica, em sua lenta
progressão, é acelerada através da evolução pessoal de cada ser humano; cada
princípio evoluiu sucessivamente no curso das eras no homem na terra,
aparecendo como parte da constituição de cada homem no ponto de evolução
alcançado em cada momento dado, permanecendo latentes os demais princípios,
esperando sua manifestação gradual.
A evolução do quaternário, até atingir o
ponto em que progresso ulterior seria impossível sem a mente, é descrita em
eloqüentes sentenças nas estâncias arcaicas em que é baseada a Doutrina Secreta
de H. P. Blavatsky (O alento é o Espírito para o qual o tabernáculo humano deve
ser construído; o corpo grosseiro é o corpo físico denso; o espírito de vida é
Prâna; o espelho de seu corpo é o duplo etérico; o veículo de desejos é Kâma):
"O Alento precisou de uma forma; os Pais a deram.
O Alento precisou de um corpo grosseiro; a Terra o moldou; o Alento precisou do
Espírito da Vida: os Lhas Solares o sopraram na sua forma. O Alento precisou de
um Espelho de seu Corpo; 'Nós lhe daremos o nosso', disseram os Dhyânis. O
Alento precisou de um Veículo de Desejos; 'Já o tem', disseram os Drenadores
das Águas. Mas o Alento necessita de uma Mente para abarcar o Universo; 'Não
podemos dá-la', disseram os Pais, 'Jamais a tive', disse o Espírito da Terra.
'A forma seria consumida se eu lhe desse a minha', disse o Grande Fogo... O
homem permanecia um Bhûta (fantasma) vazio e inconsciente".
Assim é o homem pessoal sem a mente. O
quaternário sozinho não é o homem, o Pensador, e é como Pensador que o homem
realmente é homem. Mas neste ponto deixemos o estudante descansar, e refletir
sobre a constituição humana, até onde ele pôde chegar. Pois este quaternário é
a parte mortal do homem, e é distinguida na Teosofia como a personalidade. Esta
precisa ser compreendida muito clara e definidamente, se a constituição do
homem há de ser entendida, e se o estudante for ler tratados mais avançados com
inteligência.
Na verdade, para fazer a personalidade humana
ela ainda tem de ser trazida sob os raios da mente, e ser iluminada por ela
como o mundo o é pelos raios do sol. Mas mesmo sem estes raios já é uma entidade
claramente definida, com seu corpo denso, seu duplo etérico, sua vida e seu
corpo de desejo ou alma animal. Tem paixões, mas não razão; tem emoções, mas
não intelecto; tem desejos, mas não vontade racionalizada; ela espera a vinda
de seu monarca, a mente, o toque que a transformará em homem.
PRINCÍPIO V
Manas, o Pensador, ou a Mente
Chegamos à parte mais complicada de nosso
estudo, e algum pensamento e atenção são necessários do leitor para que obtenha
mesmo uma idéia elementar da relação mantida pelo quinto princípio com os
outros princípios no homem.
A palavra Manas vem do Sânscrito man, a raiz do
verbo pensar; é o Pensador em nós, do qual se fala vagamente no ocidente como
mente. Pedirei ao leitor considerar Manas como o Pensador antes que como mente,
porque a palavra Pensador sugere alguém que pensa, isto é, um indivíduo, uma
entidade. E é exatamente esta a idéia Teosófica sobre Manas, pois Manas é o
indivíduo imortal, o "Eu" real, que se veste repetidamente de
personalidades transientes, mas ele perdura para sempre.
Ele é descrito na Voz do Silêncio na
exortação endereçada ao candidato à iniciação: "Persevera como alguém que
perdura para sempre. Tuas sombras (personalidades) vivem e se dissipam; aquilo
que em ti viverá para sempre, aquilo que em ti conhece, pois é conhecimento,
não é da vida passageira; é o homem que era, que é, e que será, para quem a
hora nunca soará" (p. 31). H.P.Blavatsky o descreveu mui claramente em A
Chave da Teosofia: "Tente imaginar um 'Espírito', um ser celestial, seja chamado
de um nome ou de outro, divino em sua natureza essencial, embora não puro o
bastante para ser um com o TODO, e tendo, a fim de obter isso, que purificar
sua natureza para finalmente alcançar aquela meta.
"Ele pode fazê-lo somente passando
individual e pessoalmente, isto é, espiritual e fisicamente, através de todas
as experiências que existem no universo múltiplo ou diferenciado. Tem,
portanto, depois de ter ganho tal experiência nos reinos inferiores, e tendo
que ascender mais alto e ainda mais alto com cada degrau na escada do ser, que
passar através de todas as experiências nos planos humanos.
"Em sua vera essência é Pensamento, e é,
portanto, chamado em sua pluralidade de Mânasaputra, 'os Filhos da Mente
(universal)'. Este 'Pensamento' individualizado é o que os Teosofistas chamam
de o verdadeiro Ego humano, a entidade pensante aprisionada em uma caixa de
carne e ossos. Ele é seguramente uma entidade espiritual, não é matéria (isto
é, não matéria como a conhecemos, no plano do universo objetivo) - e tais
entidades são os Egos encarnantes que animam o agregado de matéria animal
chamada humanidade, e cujos nomes são Manasa ou mentes" (A Chave da
Teosofia, pp. 183-184 da ed. inglesa).
Esta idéia pode ser tornada ainda mais clara
talvez com uma rápida olhada na evolução do homem no passado. Quando o
quaternário havia sido lentamente desenvolvido, era uma boa casa sem um dono, e
estava vazia esperando a vinda daquele que havia de residir lá.
O nome Mânasaputra (os filhos da mente) cobre
muitos graus de inteligência, desde os poderosos "Filhos da Chama"
cuja evolução humana já ficou muito para trás, até aquelas entidades que
obtiveram a individualização no ciclo precedente ao nosso, e estavam prontas
para se encarnar nesta terra a fim de completar sua etapa humana de evolução.
Algumas inteligências super-humanas
encarnaram como guias e instrutores de nossa humanidade infante, e se tornaram
fundadores e regentes divinos de antigas civilizações. Grande número das
entidades mencionadas acima, que já haviam desenvolvido algumas faculdades mentais,
fizeram sua morada no quaternário humano, no homem sem mente. Estas eram os
Mânasaputra reencarnantes, que se tornaram proprietários das molduras humanas
já então evoluídas na terra, e estes mesmos Mânasaputras, reencarnando era após
era, são os Egos Reencarnantes, o Manas em nós, o indivíduo perdurável, o
quinto princípio no homem.
Através das idades sucessivas o restante da
humanidade recebeu do mais alto Mânasaputra sua primeira faísca de mente, um
raio que estimulou ao crescimento o germe da mente latente dentro de si, tendo
assim a alma humana ali seu nascimento no tempo. São estas diferenças de idade,
como podemos dizer, no início da vida individual, da especialização do Espírito
Divino eterno em uma alma humana, que explicam as enormes diferenças na
capacidade mental encontrada em nossa humanidade atual.
A multiplicidade de nomes dados a este quinto
princípio provavelmente tendeu a aumentar a confusão em seu redor nas mentes
dos muitos que estão começando a estudar Teosofia.
Mânasaputra é o que chamamos o nome
histórico, o nome que sugere a entrada na humanidade de uma classe de almas já
individualizadas em certo ponto da evolução; Manas é o nome comum, descritivo da
natureza intelectual do princípio; o Indivíduo ou "Eu", ou Ego,
lembra o fato de que este princípio é permanente, não morre, é o princípio
individualizante, separando-se em pensamento de tudo o que não é ele mesmo, o
Sujeito oposto ao Objeto, na terminologia ocidental; o Ego Superior o coloca em
contraste com o ego pessoal, do qual logo diremos algo.
O Ego Reencarnante enfatiza o fato de que é o
princípio que reencarna continuamente, e assim une em sua própria experiência
todas as vidas passadas na Terra. Há vários outros nomes, mas estes não serão
encontrados em tratados elementares.
Estes de acima são os nomes mais
freqüentemente encontrados, e não há nenhuma dificuldade real a seu respeito,
mas quando são usados intercambiavelmente, sem explicação, o infeliz estudante
é capaz de arrancar seus cabelos de aflição, espantando-se com quantos
princípios ele possui, e com que relação eles guardam entre si.
Devemos agora considerar Manas durante uma
única encarnação, que servirá como protótipo para todas, e começaremos quando o
Ego foi atraído - por causas estabelecidas antes em vidas terrenas prévias - à
família em que há de nascer o ser humano que servirá como seu próximo
tabernáculo (Não trato aqui da reencarnação, uma vez que esta grande e
essencialíssima doutrina da Teosofia deve ser exposta em separado).
O Pensador, então, espera a construção da
"casa da vida" que ele vai ocupar; e agora surge uma dificuldade;
sendo ele mesmo uma entidade espiritual vivendo no plano mental, ou terceiro de
baixo para cima, um plano muito mais elevado do que o do universo, não pode
influenciar as moléculas de matéria grosseira de que é feita sua moradia pela
ação direta, sobre elas, de suas partículas muito mais sutis.
Deste modo, ele projeta parte de sua própria
substância, que se reveste de matéria astral, e então, com a ajuda da matéria
etérica, penetra todo o sistema nervoso da criança ainda não-nascida, para
formar, à medida que o aparato físico amadurece, o princípio pensante no homem.
Esta projeção de Manas, dita seu reflexo, sua sombra, seu raio, e de muitos
outros nomes descritivos e alegóricos, é o Manas inferior, em contraste com o
Manas superior - sendo Manas, durante cada período de encarnação, dual.
Sobre isto, diz H.P.Blavatsky: "Uma vez
aprisionado, ou encarnado, sua essência (o Manas) se torna dual; quer dizer, os
raios da Mente divina eterna, considerados como entidades individuais, assumem
um atributo duplo que são (a) suas mentes essenciais, inerentes,
características, anelantes pelo céu (Manas superior), e (b) a qualidade humana
de pensamento, ou cogitação animal, racionalizada devido à capacidade superior
do cérebro humano, o Manas que tende a Kâma, ou Manas inferior" (A Chave
da Teosofia, p. 184).
Agora devemos voltar nossa atenção a este
Manas inferior somente, e ver que parte ele tem na constituição humana.
Ele está mergulhado no quaternário, e podemos
considerá-lo como segurando Kâma com uma mão, enquanto que com a outra segura
em seu pai, o Manas superior. Se há de ser completamente arrastado para baixo
por Kâma e separado da Tríade à qual por sua natureza pertence, ou se irá
triunfante carregar de volta à sua fonte as experiências purificadas de sua
vida terrestre - é o problema vital apresentado e resolvido em cada encarnação
sucessiva.
Durante a vida terrena, Kâma e o Manas
inferior estão unidos, e são amiúde chamados convenientemente de Kâma-Manas.
Kâma supre, como vimos, os elementos animais e passionais; o Manas inferior os
racionaliza, e acrescenta as faculdades intelectuais; de modo que temos a mente
cerebral, a inteligência cerebral, isto é, Kâma-Manas funcionando no cérebro e
no sistema nervoso, usando o aparato físico como seu órgão no plano material.
No homem estes dois princípios estão
interligados durante toda a vida, e raramente agem separados, mas o estudante
deve perceber que "Kâma-Manas" não é um princípio novo, mas o
entrelaçamento do quarto com a parte inferior do quinto.
Assim como com uma chama podemos acender um
pavio, e a cor da chama do pavio que arde dependerá da natureza do pavio e do
líquido em que estiver embebido, igualmente em cada ser humano a chama de Manas
acende o cérebro e o pavio Kâmico, e a cor da luz deste pavio dependerá da
natureza Kâmica e do desenvolvimento do aparato cerebral.
Se a natureza Kâmica for forte e
indisciplinada, poluirá a pura luz Manásica, emprestando-lhe uma tonalidade
opaca e sujando-a com desagradável fumaça. Se o aparato cerebral for imperfeito
ou subdesenvolvido, embotará a luz e impedirá sua radiação para o exterior.
Como foi claramente assertado por
H.P.Blavatsky em seu artigo Gênio: "O que chamamos 'as manifestações do
gênio' em uma pessoa são somente os esforços mais ou menos bem sucedidos do Ego
de impor-se sobre o plano externo à sua forma objetiva - o homem de barro - na
vida diária factual deste último.
Os Egos de um Newton, um Ésquilo ou um
Shakespeare são da mesma essência e substância do que os Egos de um parvo, um
ignorante, um louco, ou mesmo um idiota; e a auto-afirmação de seus gênios
animantes depende da construção psicológica e material do homem físico. Nenhum
Ego difere de outro em sua essência e natureza primordial e original.
O que faz de um mortal um grande homem e de
outro uma pessoa vulgar e estúpida é, como se disse, a qualidade e constituição
do invólucro ou moldura física, e a adequação ou não do cérebro e corpo em
transmitir e dar expressão à luz do homem interno real; e esta aptidão ou
inépcia é, por sua vez, o resultado do Karma.
"Ou, para usarmos outro paralelo, o
homem físico é o instrumento musical, e o Ego é o artista que o toca. A
potencialidade de perfeita melodia de som está no primeiro - o instrumento - e
nenhuma habilidade do último pode despertar uma harmonia impecável a partir de
um instrumento quebrado ou malfeito.
"Esta harmonia depende da fidelidade de
transmissão, por palavra ou ato, ao plano objetivo, do pensamento divino
impronunciado nas verdadeiras profundezas da natureza interna ou subjetiva do
homem. O homem físico pode - para seguir o exemplo - ser um Stradivarius
inestimável, ou uma rabeca barata e rota, ou também uma média entre os dois
extremos, nas mãos do Paganini que o anima" (Lucifer, novembro de 1889, p.
229).
Tendo em mente estas limitações e
idiossincrasias (limitações e idiossincrasias devidas à ação do Ego em vidas
terrenas anteriores, seja bem lembrado) impostas sobre as manifestações do
princípio pensante pelo órgão através do qual ele tem de funcionar, teremos
pouca dificuldade em acompanhar a atuação do Manas inferior no homem; a
habilidade mental, a força, finura e sutileza intelectuais - tudo isso são suas
manifestações; elas podem chegar até onde o que é chamado gênio, de que
H.P.Blavatsky fala como "um gênio artificial, o florescimento da cultura e
da agudeza puramente intelectual". Sua natureza freqüentemente é
demonstrada pela presença de elementos Kâmicos nele, de paixão, vaidade e
arrogância.
O Manas
superior apenas raramente pode manifestar-se no presente estágio da evolução
humana. Ocasionalmente um clarão daquelas regiões mais altas ilumina a penumbra
em que vivemos, e só tais clarões é o que o Teosofista chama de gênio verdadeiro;
"Vêde em toda manifestação de gênio, quando combinada com a virtude, a
inegável presença do exilado celeste, o Ego divino cuja gaiola és, oh homem de
matéria".
Pois a Teosofia ensina "que a presença
no homem de vários poderes criativos" - chamados gênio em sua coletividade
- é devida não a um acaso cego, nem a qualidades inatas através de tendências
hereditárias - embora aquilo que é conhecido como atavismo possa freqüentemente
intensificar estas faculdades - mas a uma acumulação de experiências individuais
antecedentes do Ego em sua vida ou vidas anteriores.
Pois a onisciência em sua essência e natureza
ainda requer a experiência, através de suas personalidades, das coisas da
Terra, terrenamente no plano objetivo, a fim de aplicar a fruição daquela
experiência abstrata a elas. E, acrescenta nossa filósofa, o cultivo de certas
aptidões através de uma longa série de encarnações passadas deve culminar
finalmente, em uma ou outra vida, em uma florada como gênio, em uma ou outra direção" (Lucifer, novembro de
1889, pp. 229-30). Pois para a manifestação do gênio verdadeiro, pureza de vida
é uma condição essencial.
Kâma-Manas é o eu pessoal do homem; já vimos
que o quaternário, como um todo, é a personalidade, a "sombra", e o
Manas inferior dá o toque individualizante que faz a personalidade
reconhecer-se como "eu". Torna-se intelectual, reconhece-se como
separada de todos os outros eus; iludida pela separação que sente, não percebe
uma unidade além de tudo que é capaz de sentir.
E o Manas inferior, atraído pela vividez das
impressões da vida material, empolgado pelo borbulhar das emoções, paixões e
desejos Kâmicos, atraído pelas coisas materiais, cego e surdo pelas vozes
tempestuosas por entre as quais é mergulhado - o Manas inferior é capaz de
esquecer a glória pura e serena de seu lugar de origem, e jogar-se na
turbulência que lhe dá arroubos em vez de paz.
E, seja lembrado, é este Manas bem inferior
que concede o derradeiro toque de deleite aos sentidos e à natureza material;
pois o que é a paixão que não pode nem antecipar nem lembrar, onde está o
êxtase sem a força sutil da imaginação, as delicadas cores da fantasia e do
sonho?
Mas pode haver cadeias ainda mais fortes e
restritivas, atando o Manas inferior pesadamente à Terra. Elas são forjadas de
ambição, de desejo por fama, seja por aquela do poder do homem de estado, ou da
suprema realização intelectual. Enquanto qualquer trabalho for executado por
causa do amor, do aplauso, ou mesmo do reconhecimento de que o trabalho é
"meu" e não de outrem; enquanto permanecer nas câmaras mais remotas
do coração algum sutilíssimo anelo de ser reconhecido como separado de todos;
enquanto isso durar, por mais grandiosa que seja a ambição, por mais vasta a
caridade, por mais excelsa a conquista, Manas estará manchado de Kâma, e não
será puro como sua fonte.
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